Montenegro investigado por troca de favores na construção da casa de Espinho

Em causa está a requalificação do canal ferroviário de Espinho, pela Alexandre Barbosa Borges, SA (ABB), cujo valor deslizou cerca de nove milhões de euros acima do previsto, segundo contas feitas pelo jornal Expresso.

© Folha Nacional

Luís Montenegro e o seu antigo escritório de advogados foram alvos de uma investigação por parte do Ministério Público, no âmbito da requalificação do canal ferroviário de Espinho, uma empreitada adjudicada à construtora Alexandre Barbosa Borges, SA (ABB). A obra, inicialmente orçamentada em 12,4 milhões de euros, poderá ter derrapado em mais nove milhões, de acordo com o jornal Expresso.
A investigação, em curso há cerca de dois anos e arquivada a novembro de 2024, centrava-se em pareceres jurídicos emitidos entre 2019 e 2020 pelo escritório de Montenegro para a Câmara Municipal de Espinho, liderada à época pelo social-democrata Pinto Moreira. Segundo a revista Visão, esses pareceres foram determinantes na resolução de conflitos entre a fiscalização da obra e a ABB, sendo que alguns favoreceram a posição da construtora.
Um desses pareceres, assinado pelo próprio Montenegro, em maio de 2020, criticava a atuação da fiscalização, afirmando que as suas conclusões jurídicas eram “totalmente erradas” e baseadas em “desatenção ou desconhecimento técnico-jurídico”. O documento sustentava ainda que a Câmara deveria aceitar uma cláusula contratual proposta pela ABB, que implicava o pagamento de 116 mil euros adicionais — cláusula que viria a ser incluída por Pinto Moreira num contrato extra.
Apesar de seis aditamentos contratuais que aumentaram o custo da empreitada, a ABB avançou em tribunal com dois processos contra a autarquia, exigindo um total de seis milhões de euros. O primeiro deu entrada em setembro de 2023, já sob gestão socialista.
A adjudicação da obra, que incluía a construção de um parque de estacionamento subterrâneo de 400 lugares, foi feita com base numa proposta da ABB sete mil euros abaixo do valor de referência. As restantes quatro propostas em concurso ultrapassavam esse montante em 25,3% a 40,5%.
Outro dado relevante, apontado pelo Expresso, é que o orçamento-base da empreitada foi elaborado pelo gabinete de arquitetura RDLM — o mesmo que desenhou a casa de seis andares que Luís Montenegro mandou construir em Espinho.
Note-se que, segundo o Correio da Manhã, a ABB forneceu o betão usado na moradia à empresa Rui Mota Oliveira Services, responsável pela obra e que viria a declarar insolvência em janeiro de 2020, ainda durante a construção.
Contactada pela Visão, fonte oficial da Procuradoria-Geral da República confirmou, na altura, a existência de um inquérito, sublinhando que o processo estava em investigação e encontrava-se em segredo de justiça. Apesar de envolver Montenegro, nunca foi emitida qualquer nota pública sobre o caso. Saliente-se que a investigação teve início sob a liderança de Lucília Gago e prosseguiu com o novo Procurador-Geral, Amadeu Guerra.
Em novembro do ano passado, o Ministério Público revelou não ter encontrado indícios de benefícios fiscais ilícitos obtidos por Montenegro na construção da casa de Espinho e terá arquivado a investigação.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA indicou hoje que, se as alterações à legislação laboral fossem votadas agora, o partido seria contra e considerou que a greve geral mostra o “fracasso do Governo” nas negociações.
O Parlamento rejeitou esta sexta-feira as propostas do CHEGA para reforçar proteção e compensação de profissionais expostos diariamente à violência.
O presidente do CHEGA acusou o Governo de deixar por cumprir uma parte substancial dos apoios prometidos após a tempestade Kristin, criticando a ausência de execução das medidas anunciadas, a pressão fiscal sobre os lesados e a falta de resposta do Executivo perante o agravamento dos custos para famílias e empresas.
O líder do CHEGA, André Ventura, classificou como 'marketing' o programa 'Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência' (PTRR), hoje apresentado pelo Governo, e considerou que não define prioridades nem estratégias.
Paulo Abreu dos Santos, ex-adjunto de uma ministra socialista, está indiciado por 576 crimes de pornografia de menores e por integrar 13 grupos de partilha de abuso sexual infantil.
O CHEGA voltou a defender regras mais apertadas para o financiamento partidário, exigindo maior transparência nos donativos e o fim dos benefícios fiscais atribuídos aos partidos políticos.
O partido liderado por André Ventura quer ministro Miguel Pinto Luz a esclarecer por que motivo só um edifício terá proteção antissísmica reforçada numa infraestrutura hospitalar crítica.
O discurso de José Aguiar-Branco nas comemorações do 25 de Abril acabou por expor, em pleno hemiciclo, uma fratura visível no PS, com Pedro Delgado Alves a virar costas em protesto à Mesa da Assembleia da República e António Mendonça Mendes a responder com um aplauso de pé à mesma intervenção.
Mais do que cravos, cerimónias e celebrações, André Ventura defendeu este sábado, no Parlamento, que os portugueses “querem voz”, “salários justos” e “uma vida digna”, usando os 52 anos do 25 de Abril para centrar o debate nas dificuldades económicas, na corrupção e no afastamento entre a liberdade celebrada e a realidade vivida no país.
O CHEGA quer alterar a lei relativa aos crimes de responsabilidade dos titulares de cargos políticos, para que quem for condenado, por exemplo por corrupção, não possa voltar a exercer funções públicas.