PJ detém alegado grupo criminoso que se dedicava ao auxílio à imigração ilegal

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou hoje que desmantelou um alegado grupo criminoso organizado, que se dedicava à prática reiterada de crimes de auxílio à imigração ilegal, corrupção, branqueamento de capitais e falsificação de documentos.

© Facebook da PJ

Em comunicado enviado à agência Lusa, a PJ informou que foram detidas 13 pessoas, sete homens e seis mulheres, entre os quais sete empresários, uma advogada e uma funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Os detidos têm idades compreendidas entre os 26 e os 64 anos e não têm antecedentes criminais conhecidos.

Nesta operação da Diretoria do Centro, que intitularam de “Gambérria”, foram realizadas 40 buscas domiciliárias e não domiciliárias em Coimbra, Espinho, Carregal do Sal, Amadora, Odivelas, Loures e Lisboa.

“Da complexa investigação em curso, iniciada em setembro de 2023, resultou que este grupo criminoso terá vindo a dedicar-se à legalização irregular e massiva de cidadãos estrangeiros em Portugal, obtendo proventos financeiros na ordem dos milhões de euros”, indicou.

De acordo com a PJ, os imigrantes pagavam “valores elevados para conseguir a legalização em território nacional” e eram angariados pelo grupo através de complexos esquemas nos países de origem, com a promessa de fornecimento de um conjunto de serviços.

Entre os serviços figuravam a obtenção de contratos de trabalho, Número de Identificação Fiscal (NIF), Número de Identificação de Segurança Social (NISS), Número de Utente do SNS (Serviço Nacional de Saúde), tradução e certificação de registos criminais, abertura de contas bancárias, atestados de residência, entre outros.

“Muitos dos imigrantes legalizados por este grupo, apesar de figurarem como estando a trabalhar e a residir em Portugal, encontram-se na verdade noutros países do espaço europeu”, acrescentou a PJ.

Nas quatro dezenas de buscas realizadas foi apreendido “um enorme” acervo de documentação utilizada em processos de legalização irregular de estrangeiros, equipamentos informáticos, 11 veículos automóveis, alguns dos quais de alta cilindrada, cerca de um milhão de euros em numerário e duas presas de elefante em marfim com cerca de 50 quilos.

Foram ainda aprendidos diversos artigos adquiridos com os proveitos do crime e artigos utilizados nas falsificações de documentos, entre os quais um selo branco encontrado numa empresa onde seriam “validados” milhares de certificados de registo criminal de cidadãos estrangeiros.

Segundo a PJ, o Gabinete de Recuperação de Ativos – Centro, procedeu ao arresto de seis imóveis, dois prédios rústicos e quatro urbanos (uma vivenda e três apartamentos) e congelou 35 contas bancárias, dois produtos financeiros da empresa de jogos Betano e uma conta de criptoativos da Binance.

Na operação participaram cerca de 200 elementos da PJ, dois juízes, uma procuradora da República e representantes da Ordem dos Advogados.

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