Empreiteiro julgado em Coimbra por violar regras que terão causado morte

Um empreiteiro, que começa a ser julgado na quarta-feira em Coimbra, é acusado de violar as regras de segurança que terão causado a morte do seu tio numa obra, assim como de falsas declarações para encobrir o acidente.

© D.R.

O acidente, que vitimou o tio do arguido, contratado para a empreitada, ocorreu na reconstrução de um muro de pedra de grandes dimensões numa quinta no concelho de Tábua, em janeiro de 2020.

O empreiteiro de 50 anos, do concelho de Oliveira do Hospital, estava responsável pela subempreitada, tendo contratado o seu tio, mediante pagamento de 500 euros, para o ajudar a recolocar e fixar as pedras que tinham caído do muro, juntamente com outro trabalhador não identificado no processo, afirmou o Ministério Público, na acusação a que a agência Lusa teve acesso.

O arguido operava uma retroescavadora, usando o braço para elevar as pedras tombadas, com o seu tio e o outro trabalhador a prenderem as pedras com correntes ao braço articulado daquela máquina.

Segundo o Ministério Público (MP), para aquela obra, o arguido não forneceu capacete nem colete ou luvas aos trabalhadores.

A 29 de janeiro, durante a obra, o arguido fez embater, acidentalmente, o braço da retroescavadora na cabeça do seu tio, que, por não ter capacete de proteção, sofreu uma fratura na cabeça, começando longo a sangrar e “a mostrar sinais de alteração motora e cognitiva, ficando incapaz de estar de pé, de se movimentar sem o auxílio de terceiros ou de comunicar de forma coerente, o que sugeria a todos quantos assim o viam a forte possibilidade de ter sofrido graves lesões cranianas e, por isso, de correr risco de vida”, contou o MP.

Apesar disso, salientou a acusação, o arguido, em vez de ligar ao 112, decidiu transportar a vítima até ao Centro de Saúde de Oliveira do Hospital na caixa de carga da sua carrinha, “não obstante saber que, ao fazê-lo, podia estar a contribuir para o agravamento das lesões que o mesmo tinha sofrido e, assim, aumentar o risco de que das mesmas pudessem resultar em lesões permanentes, ou até a morte”.

Chegado ao centro de saúde, o tio do arguido foi assistido por uma médica, que chamou de imediato uma ambulância para a vítima ser transportada para os Hospitais da Universidade de Coimbra.

Apesar da intervenção cirúrgica e tratamentos médicos, o tio do arguido acabou por falecer a 01 de fevereiro, no hospital.

A 29 de fevereiro, quando inquirido por um militar da GNR face à suspeita de que o seu tio tivesse sido vítima de atropelamento, o arguido disse que transportou o seu tio depois de o ver a andar com dificuldade num caminho situado junto à sua casa e que lhe teria dito que tinha caído do alto de um muro.

Ao prestar “falsas informações” ao militar da GNR, o arguido “fê-lo com o propósito de se eximir à responsabilidade penal, civil e contraordenacional que para ele advinha” do facto do seu tio estar a trabalhar para si quando foi atingido pelo braço da retroescavadora, acusa o MP, recordando que o empreiteiro não forneceu capacete nem contratou seguro.

Segundo a acusação, o arguido optou por não contar a verdade para não dar origem “aos competentes processos penal, contraordenacional e laboral, o que só não sucedeu porque pessoa que não se quis identificar os denunciou à Polícia Judiciária, permitindo o início do inquérito criminal”.

O arguido de 50 anos vai ser julgado por um crime de violação das regras de segurança, um crime de omissão de auxílio e um crime de falsas declarações.

Últimas do País

Um homem de 53 anos ficou sujeito à medida de coação de apresentações semanais por suspeitas do crime de incêndio, depois de ter sido detido em flagrante delito no Beato, em Lisboa, informou hoje a PSP.
Uma jovem de 21 anos foi vítima de violação depois de sair do trabalho, em Albufeira. O suspeito, um cidadão estrangeiro de 24 anos, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), que reuniu provas consideradas suficientes para a sua apresentação a primeiro interrogatório judicial.
O homem, já constituído arguido, está indiciado pela prática de dois crimes de violência doméstica agravados contra a ex-companheira e o filho, anunciou o Ministério Público (MP), num comunicado publicado na página na Internet da Procuradoria-Geral Regional de Évora.
A Polícia Judiciária arrestou, esta madrugada, um porta-contentores no Porto de Sines, suspeito de transportar grandes quantidades de cocaína a bordo.
Cerca de 50 concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Santarém e Portalegre estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Um homem de 67 anos foi detido por suspeitas de maus-tratos psicológicos e físicos à mulher, incluindo ameaças de morte, no concelho de Arraiolos, no distrito de Évora, revelou hoje o Ministério Público (MP).
Mais de 50 concelhos do interior, de oito distritos de Portugal, enfrentam hoje perigo máximo de incêndio, no dia em que se espera descida da temperatura
Presidente do CHEGA considera que o ministro da Administração Interna não reúne condições para continuar no cargo, critica as explicações prestadas na primeira conferência de imprensa realizada após serem conhecidos os casos polémicos que o envolvem e apela à intervenção do Presidente da República.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve tem por cobrar 1.234.358 euros relativos a serviços prestados a pessoas estrangeiras não residentes em Portugal, em 2023 e 2024, revela uma auditoria da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS).
Um homem, de 23 anos, foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva por suspeitas de ter agredido a ex-companheira, de 39, depois de ter forçado a entrada na sua casa, em Beja, foi hoje divulgado.