Função pública em greve na sexta-feira com saúde e educação entre os mais afetados

Os trabalhadores da administração pública cumprem na sexta-feira uma greve contra o pacote laboral apresentado pelo Governo, sendo a educação e a saúde os setores que deverão ser mais afetados, disse fonte da Federação de sindicatos independentes.

© Facebook da Frente Comum

A greve, convocada pela Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesinap), que tem serviços mínimos, abrange os trabalhadores de todas as carreiras da Administração Pública sejam gerais ou especiais.

A retirada imediata da proposta de reforma laboral, pedir uma reunião urgente com o Governo sobre a reforma “Trabalho XXI”, o fim da discriminação sindical praticada pelo executivo e participação efetiva da Fesinap nas negociações laborais são os motivos da greve.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da Fesinap disse que a educação, incluindo professores e pessoal não docente, e a saúde, incluindo médicos e enfermeiros “poderão ser os setores mais afetados na sequência da paralisação”.

“A greve vem no seguimento do pacote laboral apresentado pelo Governo aos sindicatos. Em nosso entender, este pacote traz um retrocesso de mais de 20 anos na legislação laboral, um atraso ao trabalhador e às gerações futuras, ou seja, traz muita inconsistência, muita dúvida, tudo o que será de mau que vem para o mercado de trabalho”, indicou Mário Rui à agência Lusa.

Segundo o secretário-geral da Fesinap, com esta reforma os trabalhadores portugueses ficarão ainda mais empobrecidos relativamente aos colegas europeus.

“Por isso, a administração pública vai estar em greve amanhã [sexta-feira]. Prevemos um grande constrangimento praticamente em todos os setores. Nas escolas, tribunais, hospitais, serviços da Segurança Social, etc. Vai ser um sinal forte para o dia 11 de dezembro, dia de greve geral, e dia 12, porque a Fesinap vai apresentar um pré-aviso de greve também para o dia 12 de dezembro”, disse.

O sindicalista destacou que foram decretados serviços mínimos para todas as instituições públicas.

Mário Rui adiantou também que a greve visa igualmente denunciar a discriminação sindical praticada pelos consecutivos governos.

“Representamos milhares de trabalhadores que não se reveem nas estruturas sindicais que regularmente se reúne como Governo, falo da UGT e CGTP. (…) Há anos que tentamos dialogar com o Governo, mas este tem primado em dialogar sempre com as centrais sindicais”, disse.

Para o secretário-geral da Fesinap, esta postura por parte do Executivo é “antidemocrática e incompreensível”.

“Se esta posição por parte do Governo se mantiver, os trabalhadores vão sair às ruas para reivindicarem os seus direitos e os direitos das suas famílias. O Governo tem de olhar para a Fesinap de outra forma, temos milhares de trabalhadores associados”, realçou.

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