Manifestantes vão para a cadeia mais tempo do que agressor sexual, um imigrante ilegal da Etiópia

A justiça britânica aplicou penas de prisão a três residentes de Epping, em Essex, que, somadas, superam a condenação do imigrante ilegal responsável por crimes sexuais que desencadearam os protestos.

© EPA/TAYFUN SALCI

A justiça britânica condenou três residentes da localidade inglesa de Epping, em Essex, a penas de prisão pela participação em distúrbios ocorridos durante um protesto contra a condenação de um imigrante ilegal por crimes sexuais, segundo avança o jornal La Gaceta esta quarta-feira. No total, as penas aplicadas aos manifestantes ultrapassam a duração da condenação imposta ao agressor, gerando forte polémica no Reino Unido.

Na origem dos protestos esteve a sentença que condenou Haddouche Kibatou, imigrante ilegal de origem etíope, a um ano de prisão por agressões sexuais, incluindo tentativas de abuso a uma menor e ataques a uma idosa. A decisão judicial provocou indignação local, levando moradores a manifestarem-se junto de um hotel que acolhe requerentes de asilo.

O protesto, inicialmente pacífico, degenerou em confrontos com a polícia. Segundo o mesmo jornal, três participantes foram detidos e agora condenados por distúrbios da ordem pública, com o tribunal a considerar que criaram riscos graves para a segurança.

A diferença entre as penas reacendeu o debate sobre proporcionalidade da justiça, imigração ilegal e resposta judicial a protestos, com parte da opinião pública a questionar se quem protestou foi mais severamente punido do que quem cometeu crimes sexuais.

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