Ventura aponta “falhanço do Estado” e pede linha de apoio a fundo perdido

O candidato presidencial André Ventura apontou hoje um "falhanço do Estado" na gestão dos efeitos do mau tempo e apelou ao Governo que lance uma linha de apoio a fundo perdido e empenhe mais militares na ajuda às populações.

© Folha Nacional

De visita aos Bombeiros Voluntários de Braga, no âmbito da campanha da segunda volta das eleições presidenciais, o candidato apoiado pelo CHEGA afirmou que “as pessoas estão a fazer por si próprias” e assinalou que já se registaram duas mortes de dois homens enquanto reparavam telhados.

“Isto é o resultado evidente de um falhanço do Estado”, defendeu, pedindo o apuramento de responsabilidades.

André Ventura falava aos jornalistas ainda antes da apresentação das conclusões do Conselho de Ministros extraordinário que avaliou a “adoção de medidas de prevenção e assistência” na sequência do mau tempo que tem afetado, em especial, a zona centro do país.

O também líder do CHEGA apelou a uma “mobilização efetiva, integral, onde for preciso, das Forças Armadas para resolver esta situação”, e defendeu que já “devia ter sido” acionado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

Ventura pediu também ao Governo que lance “imediatamente uma linha de apoio a pessoas que estão com as estruturas totalmente destruídas, que não conseguem pagar a funcionários, que não conseguem ter bens essenciais, a ter uma linha de apoio imediata, rápida, sem endividamento e sem burocracia”.

Questionado sobre o valor deste apoio, o candidato a Presidente da República remeteu essa decisão para o Governo, mas defendeu que “o teto proporcional aos danos que o Governo conseguiu avaliar”.

“Não podemos estar a dar às pessoas 1% daquilo que perderam. Senão, sinceramente, as pessoas sentem que não vale a pena contribuir para o Estado português”, considerou.

André Ventura avisou igualmente que vai ser “muito duro com o Governo na exigência de responsabilidades desta vez, porque não há razão nenhuma neste mundo para o SIRESP ter falhado”.

“É inaceitável. Não há razão nenhuma para, mais uma vez, as estruturas não se terem conseguido coordenar”, sustentou.

O candidato apoiado pelo CHEGA pediu ainda ao Governo que garanta que “as comunicações vão funcionar, que os meios de Proteção Civil e os meios militares estão alerta e estão com capacidade de agir e que os hospitais e os serviços de saúde estão prontos para enfrentar a situação”.

“Eu hoje ouvi o meu adversário [António José Seguro] dizer que isto mostrou que ele tem diálogo. Eu não quero diálogo, eu quero ação”, afirmou.

Questionado sobre se o CHEGA está disponível para viabilizar no parlamento medidas proposta pelo Governo com vista à recuperação das zonas afetadas, Ventura defendeu que o executivo pode agir já e referiu não ter sido contactado por nenhum membro do executivo nesse sentido.

Confrontado novamente com a sugestão do Presidente da República de criação de uma comissão técnica independente – depois de no sábado não ter respondido à questão –, o candidato respondeu: “Eu não sei para que é que servirá. Isto não é uma questão de ser contra, é que eu estou farto de estudos, de comissões, de sindicâncias que não levam a lado nenhum”.

Na sexta-feira, o deputado defendeu uma “profunda auditoria” à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Hoje, defendeu que esse mecanismo pode apurar “o que falhou” em termos de comunicações ou abastecimento de energia, mas não explicou porque seria melhor uma auditoria face a uma comissão técnica independente.

André Ventura foi novamente questionado sobre as acusações de aproveitamento político do presidente da Câmara de Leiria e disse que, se fosse autarca, “estava era preocupado que chegasse o maior número de ajuda possível à zona onde os meus munícipes estão com dificuldades, e não em fazer críticas políticas”.

Ventura recusou também ter-se apercebido tarde da dimensão do problema.

“Se eu percebi tarde, o Governo andou a dormir, não é? E o Presidente da República também, e vocês também, porque também não me perguntaram nada sobre isso”, afirmou, atacando o jornalista que colocou a pergunta: “Se eu andei a dormir, você esteve a dormir o ano inteiro”.

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