Mau tempo: Deco Proteste alerta que apoios dos bancos assentam em novos empréstimos

A Deco Proteste alertou hoje que as propostas financeiras criadas por vários bancos, para o apoio aos efeitos do mau tempo assentam, na sua maioria, na contratação de novos empréstimos, que podem “agravar o endividamento das famílias”.

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Num comunicado, hoje divulgado, a organização explicou que, na sequência da tempestade Kristin e dos danos causados em habitações e bens essenciais, “analisou as propostas de apoio financeiro criadas por vários bancos para responder às necessidades imediatas das populações afetadas”.

A principal conclusão da entidade é que “a maioria das soluções apresentadas assenta na contratação de novos empréstimos, o que pode agravar o endividamento das famílias num momento de especial fragilidade financeira”.

De acordo com a análise da Deco Proteste, ainda que algumas instituições “apresentem condições temporariamente mais favoráveis, como isenção de comissões ou bonificação de taxas de juro por períodos limitados”, estas soluções acabam por se “traduzir em novos créditos que terão de ser reembolsados”.

Por outro lado, várias destas propostas estão “condicionadas à relação prévia com o banco”, ou seja, em muitos casos, são dirigidas apenas a clientes da própria instituição.

A Deco Proteste salientou, no entanto, “que o panorama das respostas da banca não está fechado”.

“As instituições financeiras têm vindo a acompanhar a evolução da situação no terreno, pelo que poderão surgir novas soluções que ainda não foram divulgadas publicamente nos respetivos ‘sites’ ou canais oficiais”, destacou.

A análise da Deco Proteste incidiu sobre as propostas divulgadas, até 05 de fevereiro, pela Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Santander, Novo Banco, Abanca, ActivoBank, Crédito Agrícola e Bankinter.

A organização defendeu que os consumidores “devem analisar cuidadosamente qualquer proposta de crédito, não se limitando à prestação mensal, mas avaliando o custo total do empréstimo, nomeadamente através da TAEG” (taxa que mede o custo total de um crédito para o consumidor, expressa em percentagem anual), assim como as condições após o período de bonificação inicial.

A Deco Proteste recordou que “existem medidas públicas de apoio e mecanismos como a moratória legal para crédito à habitação própria e permanente”, que podem, em algumas situações, ser “menos penalizadoras do que a contratação de novos empréstimos”.

A Deco Proteste aconselhou os consumidores a que, antes de avançar com qualquer solução de financiamento, “confirmem junto do seu banco se existem soluções específicas para a sua situação concreta, mesmo que não estejam publicitadas”.

Além disso, a entidade apelou aos consumidores para que “comparem propostas de diferentes instituições e não se limitem ao banco onde já são clientes” e analisem o custo total do crédito e não só a redução temporária da prestação.

A Deco Proteste aconselhou ainda a que “ponderem, sempre que possível, alternativas ao recurso a novo endividamento”.

A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta em Portugal provocou a destruição de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, além de 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo têm sido as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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