“Estamos a falar de prejuízos públicos em estradas, taludes, ribeiras, edifícios públicos, equipamentos desportivos, culturais de cerca de 34 milhões de euros que, segundo os nossos cálculos, para reabilitar, serão necessários cerca de 42 milhões de euros”, declarou Luís Albuquerque.
Ourém, no distrito de Santarém, foi um dos concelhos mais afetados pela depressão Kristin, em 28 de janeiro.
Sobre o valor apurado, Luís Albuquerque explicou que os técnicos municipais “andaram durante quase duas semanas no terreno a fazer os levantamentos”.
“Obviamente que não tem o grau de certeza que devia ter, porque um projeto, por vezes, demora meses a fazer e não é em cinco dias que se consegue avaliar e consegue quantificar o valor dos prejuízos, mas com um grau de probabilidade muito diminuto”, adiantou.
Quanto ao restabelecimento da energia elétrica, o autarca admitiu ser arriscado dizer que está 100%, pois “pode haver ainda alguns casos isolados, esporádicos, que possam não ter energia”, e nas comunicações, móveis e fixas, acredita estar “muito perto” do restabelecimento total, mas no que se refere à Internet “está muito atrasado”.
À pergunta sobre o apoio do Governo para fazer face aos prejuízos do mau tempo, Luís Albuquerque, eleito em outubro para o terceiro e último mandato, espera que seja “de acordo com a dimensão dos estragos” que ocorreram no concelho.
Questionado sobre eventuais investimentos que a Câmara deixará de concretizar este mandato, o autarca remete uma decisão para depois de serem conhecidos os apoios ao município.
“Não sei qual vai ser a dimensão do apoio do Governo e das entidades que nos têm vindo a solicitar o reporte de prejuízos. Só depois de termos a noção do que isso representa é que poderemos dizer o que é que vamos deixar cair”, referiu.
Contudo, adiantou que as despesas já realizadas para devolver a normalidade ao concelho, que incluíram desobstrução de vias, limpeza ou colocação de estabelecimentos de ensino em funcionamento, somam 1,5 milhões de euros, verba que “está já a afetar muito” o orçamento municipal, pelo que “alguns assuntos” que estavam em andamento “já tiveram de esperar”.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no dia 15 de fevereiro.