Parlamento paga mais de 15 mil euros por um serviço durante seis meses a “repórter digital” escolhido sem concurso

A Assembleia da República contratou o fundador do movimento ‘Eu voto’ e moderador no Observador por ajuste direto para “modernizar” imagem nas redes. Vasco Galhardo deverá receber 2.542 euros por mês para produzir conteúdos, sobretudo para as redes sociais. No total, arrecadará 15.252 euros (com IVA) pela prestação do serviço durante seis meses.

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A Assembleia da República avançou com a contratação de Vasco Galhardo, moderador no Observador e fundador do movimento ‘Eu Voto’, para exercer funções de “repórter digital”, num contrato superior a 15 mil euros por um período de seis meses, segundo apurou o jornal Página UM. O objetivo passa pela produção de conteúdos e pelo reforço da presença do Parlamento nas redes sociais, com a ambição de projetar uma imagem mais “moderna, aberta e comunicativa”.

A contratação foi efetuada por ajuste direto, ao abrigo do facto de o montante se situar abaixo dos 20 mil euros — limiar legal que dispensa a realização de concurso público. Ainda assim, o processo suscita dúvidas: a Assembleia refere ter analisado vários perfis, mas não divulga quantos candidatos foram considerados nem os critérios concretos que sustentaram a escolha.

De acordo com a mesma fonte, o contrato prevê a produção contínua de conteúdos digitais e a cobertura da atividade parlamentar, sem definição clara de carga horária ou de presença obrigatória, podendo as funções ser desempenhadas em regime presencial ou remoto.

Antes desta contratação, o Parlamento já tinha recorrido, igualmente por ajuste direto, a uma empresa de comunicação para serviços semelhantes, num contrato de cerca de 24 mil euros por três meses.

A aposta na comunicação digital surge como uma “tentativa de aproximação aos cidadãos”. No entanto, a sucessão de ajustes diretos e a ausência de transparência documental — nomeadamente a não divulgação integral dos procedimentos no portal público — acabam por fragilizar a imagem de abertura e modernização que a Assembleia da República procura transmitir.

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