A Assembleia da República avançou com a contratação de Vasco Galhardo, moderador no Observador e fundador do movimento ‘Eu Voto’, para exercer funções de “repórter digital”, num contrato superior a 15 mil euros por um período de seis meses, segundo apurou o jornal Página UM. O objetivo passa pela produção de conteúdos e pelo reforço da presença do Parlamento nas redes sociais, com a ambição de projetar uma imagem mais “moderna, aberta e comunicativa”.
A contratação foi efetuada por ajuste direto, ao abrigo do facto de o montante se situar abaixo dos 20 mil euros — limiar legal que dispensa a realização de concurso público. Ainda assim, o processo suscita dúvidas: a Assembleia refere ter analisado vários perfis, mas não divulga quantos candidatos foram considerados nem os critérios concretos que sustentaram a escolha.
De acordo com a mesma fonte, o contrato prevê a produção contínua de conteúdos digitais e a cobertura da atividade parlamentar, sem definição clara de carga horária ou de presença obrigatória, podendo as funções ser desempenhadas em regime presencial ou remoto.
Antes desta contratação, o Parlamento já tinha recorrido, igualmente por ajuste direto, a uma empresa de comunicação para serviços semelhantes, num contrato de cerca de 24 mil euros por três meses.
A aposta na comunicação digital surge como uma “tentativa de aproximação aos cidadãos”. No entanto, a sucessão de ajustes diretos e a ausência de transparência documental — nomeadamente a não divulgação integral dos procedimentos no portal público — acabam por fragilizar a imagem de abertura e modernização que a Assembleia da República procura transmitir.