Cerca de 600 mil portugueses podem ter doenças da tiroide e não saber, dizem especialistas

Mais de metade dos cerca de um milhão de portugueses que se estimam que têm doenças da tiroide não estão divulgadas, segundo os especialistas, que alertam para a importância de valorizar sintomas como cansaço e alterações de peso.

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Em declarações à Lusa a propósito da Semana da Tiroide, que hoje começa, a presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, explica que, muitas vezes, os sintomas são desvalorizados e, sobretudo numa fase inicial, são confundidos com situações do dia a dia.

“Às vezes, por exemplo, o doente tem uma bradicardia, ou seja, tem o coração a bater mais devagarinho, e acaba por ser o cardiologista que vai fazer o diagnóstico, ou até aparece com um colesterol muito elevado e quando se tenta perceber porque é hipotiroidismo”, explicou o especialista, sublinhando a importância de não desvalorizar os sintomas.

Disse ainda que os problemas da tiroide podem agravar outras doenças: “Por exemplo, quando há diabetes ou hipertensão ou, em casos muito extremos, pode agravar a insuficiência cardíaca”.

“Nas mulheres jovens impacta também na fertilidade e na própria gravidez”, acrescentou.

Além do hipotiroidismo (tiroide a trabalhar de forma lenta), há o reverso da medalha, com a tiroide a funcionar de forma acelerada (hipertiroidismo). Nestes casos – explica -, como a velocidade em que se instalam sintomas pode ser maior e o quadro é diferente, as pessoas estão mais atentas e o diagnóstico acaba por se fazer.

“No hipertiroidismo é como se tudo estivesse acelerado. Portanto, há muitas vezes uma perda de peso, apesar de um apetite preservado ou até muito aumentado, (…) e as pessoas estão atentas às variações de peso”, explicou o especialista.

As doenças da tiroide são uma das disfunções endócrinas mais frequentes em nível mundial, estimando-se que afetem cerca de 200 milhões de pessoas. Em Portugal, pode afetar até um milhão de portugueses, o equivalente a cerca de 10% da população.

Apesar desta elevada incidência, as estimativas indicam que cerca de 60% das pessoas com doença da tiroide não estão afetadas, o que pode representar a 600 mil pessoas.

Paula Freitas disse que, quando os sintomas persistem, “podem ter significado clínico e devem ser avaliados”.

Para sensibilizar a população para a importância de valorizar sintomas como o cansaço, variações de peso, alterações de humor ou alteração ao frio, a SPEMD e a Associação de Doentes da Tiroide (ADTI) vão promover durante uma semana ações de sensibilização com triagem no UBBO Amadora, com a participação de médicos endocrinologistas.

A iniciativa inclui a realização de avaliações clínicas breves e testículos sanguíneos para identificar situações suspeitas de disfunção da tiroide. Os participantes com resultados indicativos de alteração serão encaminhados ao seu médico de família para avaliação clínica completa e eventual confirmação diagnóstica.

Questionado pela Lusa, o presidente da SPEDM descobriu que um melhor acesso aos cuidados de saúde primários ajudaria a que estas pessoas pudessem ter um diagnóstico mais precoce, pois estariam mais acompanhados.

“À medida que a idade vai avançando as pessoas têm maior probabilidade de ter hipotiroidismo e a porta de entrada propriamente dita dos cuidados primários, para serem atentos e para fazer a análise [aos níveis da tiroide], quando fazem as análises anuais ao doente”, afirmou.

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