O governador do Banco de Portugal declarou ter apenas 1166 euros depositados em contas bancárias, apesar de auferir um salário mensal de 19 915 euros à frente do supervisor bancário.
Segundo a declaração de rendimentos e património entregue à Entidade para a Transparência, Álvaro Santos Pereira declarou, em janeiro, três contas bancárias à ordem com saldos de 765, 231 e 170 euros, num total de 1166 euros.
No mesmo documento, o governador do Banco de Portugal não declarou depósitos a prazo, carteiras de títulos ou outras aplicações financeiras, mas registou a titularidade de uma moradia T3 no Algarve, com valor patrimonial superior a 433 mil euros.
Álvaro Santos Pereira declarou ainda deter ações da Nestlé, Navigator, Galp e Jerónimo Martins, sem indicar o número de títulos nem o montante investido. Já depois de assumir funções no Banco de Portugal, o governador investiu cerca de 25 mil euros em ações, operações que viriam a ser revertidas após intervenção do Banco Central Europeu.
O BCE informou o governador de que não poderia manter esse tipo de investimento, mesmo em empresas fora do setor financeiro, levando à venda dos títulos em abril. Dessa operação resultou uma mais-valia de cerca de três mil euros, valor que, segundo o Banco de Portugal, foi doado a uma instituição de solidariedade social.
Álvaro Santos Pereira assumiu funções como governador a 5 de outubro de 2025 e entregou a declaração de rendimentos e património a 15 de janeiro de 2026, dentro do prazo legal previsto na Lei n.º 52/2019.
Antes de chegar ao Banco de Portugal, Santos Pereira foi economista-chefe da OCDE, onde declarou um rendimento anual de 252 885 euros.