CHEGA critica PSD por recusar comissão de inquérito à Operação Influencer

O presidente do CHEGA criticou hoje o PSD por inviabilizar uma comissão de inquérito à Operação Influencer com "motivos fúteis" e perguntou de que "tem medo" o partido de Luís Montenegro, reiterando que a forçará a partir de setembro.

© Folha Nacional

“Não vou deixar que nenhum outro assunto desvie do essencial, que é o maior partido do Parlamento, o maior, [PSD] ter dito que não aceita uma comissão de inquérito com motivos fúteis, sabendo perfeitamente que há suspeitas fundadas, graves, que levaram à queda de um governo de maioria absoluta e à qual o país prefere olhar para o lado”, disse aos jornalistas André Ventura.

Em causa o anúncio feito na véspera à Lusa por fonte da direção da bancada do PSD de que o partido não viabilizará a comissão de inquérito à Operação Influencer proposta pelo CHEGA, que tinha sido formalizada nesse dia, defendendo os sociais-democratas que a “política não deve invadir o espaço que cabe à justiça” nem tratar estes assuntos ao sabor de interesses partidários.

Na perspetiva do presidente do CHEGA, não se pode “deixar que a Operação Influencer se torne num novo [processo] Marquês”.

“Se nós queremos combater a corrupção a sério e não de brincadeira, então nós temos que levar isto a sério. Porque é que o PSD não quer fazer uma comissão de inquérito sobre isto? De que é que tem medo? E se tem medo de alguma coisa, olhe, como diz o povo, quem tem medo, compra um cão”, questionou.

Ventura disse não estar surpreendido com esta decisão do partido de Luís Montenegro porque há no país “uma cultura de proteção mútua em que os maiores interesses se protegem entre si”, referindo-se ao PSD e ao PS.

O presidente do CHEGA reiterou que vai levar a proposta para a constituição da comissão de inquérito a votos no parlamento, mas que apesar do chumbo anunciado não vai desistir da iniciativa e irá pedir que esta seja constituída potestativamente logo que possível, o que se poderá ser a partir de setembro, ou seja, na próxima sessão legislativa.

O CHEGA formalizou no domingo a proposta de constituição de um inquérito parlamentar à Operação Influencer para aferir a legalidade da intervenção do ex-primeiro-ministro António Costa em processos ligados ao lítio, hidrogénio e ao centro de dados de Sines.

No pedido submetido no parlamento, o partido propõe que a comissão se denomine “Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar para avaliação da intervenção e eventual responsabilidade de membros do XXIII Governo Constitucional e de outros titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos, com referência aos factos investigados no âmbito da Operação Influencer”.

O partido de André Ventura estabelece como objeto desta comissão o apuramento da “extensão da intervenção” de António Costa em três processos: a exploração de lítio nas minas do Romano e do Barroso, o projeto de produção de energia a partir de hidrogénio em Sines e o projeto de construção de um ‘data center’ da Start Campus na Zona Industrial e Logística de Sines.

Esta iniciativa tinha sido anunciada a 01 de maio pelo presidente do CHEGA, André Ventura, depois de divulgadas notícias que referiam que António Costa falou com o amigo Diogo Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus, em Sines, contrariando a versão apresentada em novembro de 2023 pelo ex-primeiro ministro, que havia garantido que “nunca, em circunstância alguma” tinha falado com Lacerda Machado sobre esse projeto.

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