“Procurei até à última hora que fosse possível chegar a um consenso. O que não posso, porque a consciência não permite e porque os participantes também não o permitiriam nem aceitariam, é trair a visão fundamental que temos de que uma reforma, ou dita reforma laboral, possa transformar-se num instrumento de perseguição sobre quem trabalha e destruição da economia portuguesa”, afirmou.
O líder do CHEGA defendeu também que a rejeição da proposta do Governo para alterar a lei laboral “não se trata de nenhum cálculo político”.
“Trata-se de defender precisamente aquilo que de mais precioso temos em Portugal, a nossa mão-de-obra sustentada e sustentável, a nossa economia sustentada e sustentável, e relações de trabalho para o futuro”, afirmou.
Ventura defendeu que a “lógica e o objetivo não é ser muleta do Governo, é corrigir os erros do Governo e fazer uma oposição responsável”.
Sobre a descida da idade da reforma, uma das principais critérios que o CHEGA colocou para viabilizar o pacote laboral, o deputado disse que o Governo “entendeu que não devia baixar nem um dia”, nem “congelar o seu aumento durante os próximos meses”, enquanto essa possibilidade era científica.
“O Governo aceitou a proposta do CHEGA de podermos ter uma comissão para estudar uma eventual descida da idade da reforma, mas a idade da reforma ia subir durante o tempo em que a estamos a estudar. Pergunto se há alguém no país que possa aceitar isto”, afirmou.
No caso “dos tetos às pensões milionárias”, referiu que o executivo também não aceitou esta reclamação, “porque desequilibraria alegadamente, segundo o Governo, o sistema de Segurança Social”.
No que toca ao fim das subvenções vitais, André Ventura disse que o Governo também não aceitou, “entendendo que há questões de constitucionalidade que se colocam”.
A proposta de lei para rever a lei laboral foi rejeitada na generalidade, no Parlamento, com o CHEGA a votar contra, depois de não ter chegado a acordo com o Governo.