Carteiristas apanhados em flagrante saem em liberdade e fazem crescer milícias nas ruas de Lisboa

Lisboa está a assistir ao crescimento de um fenómeno pouco habitual: grupos de cidadãos que decidiram passar à ação para identificar e perseguir carteiristas nas zonas mais turísticas da cidade. O aumento destes movimentos surge numa altura em que muitos moradores e comerciantes se mostram frustrados com aquilo que consideram ser um sentimento de impunidade em torno deste tipo de criminalidade.

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A revolta ganhou força depois de vários casos em que suspeitos apanhados em flagrante acabaram por sair em liberdade. Um dos exemplos mais recentes ocorreu na Baixa de Lisboa, onde dois homens, de 35 e 36 anos, foram detidos por investigadores da PSP depois de terem sido surpreendidos a furtar a carteira de uma turista. Os suspeitos foram apanhados na posse do dinheiro e dos documentos da vítima, mas acabaram libertados por decisão judicial, ficando o julgamento agendado para data posterior.

Casos como este estão a alimentar o aparecimento dos chamados “caçadores de carteiristas”. Nas redes sociais multiplicam-se páginas onde são divulgadas imagens, nomes e nacionalidades de suspeitos de furtos. Em alguns casos, os grupos chegam mesmo a seguir alegados carteiristas pelas ruas e a confrontá-los publicamente.

Recentemente, um vídeo tornou-se viral ao mostrar um suspeito apanhado em flagrante a tentar furtar uma carteira. Depois de ser intercetado por membros de um destes grupos, acabou com o rosto coberto por tinta vermelha, numa ação que gerou forte polémica.

Apesar de compreender a preocupação dos cidadãos, a PSP alerta para os riscos da chamada justiça popular. Fonte policial ouvida pela SIC Notícias admite que estes movimentos têm vindo a crescer, mas sublinha que a atuação fora da lei pode resultar em agressões, confrontos e situações perigosas para todos os envolvidos.

Os números ajudam a explicar o descontentamento. Só entre janeiro e maio deste ano foram apresentadas quase 3.000 queixas relacionadas com carteiristas em Portugal, um aumento de 7% face ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, o número de detenções registou uma quebra de 18%.

Perante este cenário, a PSP mantém no terreno uma força especializada dedicada ao combate aos carteiristas. A unidade, criada há oito anos, já permitiu recuperar mais de três milhões de euros em bens e dinheiro furtados.

Enquanto as autoridades insistem que o combate ao crime deve ser feito dentro da lei, cresce entre muitos lisboetas a sensação de que os carteiristas continuam a atuar com demasiada facilidade nas ruas da capital, alimentando um fenómeno de justiça popular que preocupa cada vez mais as forças de segurança.

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