“Está tudo resolvido, a bem da população e daqueles que nos visitam. Não vai haver problemas, nem contingências ao nível de voos para as Flores por via da prestação de serviço dos bombeiros”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Santa Cruz das Flores, Carlos Silva.
Segundo o responsável, a situação “foi ultrapassada” após uma reunião entre a direção da associação e os bombeiros que prestam serviço no aeroporto, em que foi possível chegar a um “acordo”.
“O acordo prevê o cumprimento integral do horário estabelecido pela ANA, incluindo antecipações e prorrogamentos, as tais horas extraordinárias, até 28 de fevereiro de 2027”, detalhou.
Carlos Silva destacou que os bombeiros vão continuar a realizar as mesmas horas extraordinárias até ao final de fevereiro de 2027, altura em que a associação deixa de prestar serviços para o aeroporto.
“Dialogámos com eles e conseguimos que assumissem o compromisso. Até 28 de fevereiro de 2027, quando a associação deixa de prestar serviço de bombeiros no aeroporto, vão prestar as mesmas horas extraordinárias. Não há reforço de bombeiros, vamos aguentar o serviço até à nossa saída do aeroporto”, explicou.
Em 10 de junho, o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) garantiu que estava a acompanhar a evolução da situação no Aeroporto das Flores, em resposta a preocupações sobre eventuais constrangimentos na operação aérea da ilha por indisponibilidade dos bombeiros para assegurarem serviço extraordinário.
Na altura, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Santa Cruz das Flores informou a população sobre a situação, indicando que os elementos que prestam serviço no Aeroporto das Flores estão “sujeitos a um elevado desgaste psicológico, decorrente da falta de recursos humanos para afetação ao serviço”, mas garantiram que a decisão de deixarem de assegurar serviço nas horas extraordinárias “não afetará as evacuações médicas”.
Hoje, o presidente da associação destacou que a situação ficou resolvida internamente entre os bombeiros, já que a ANA, que gere o aeroporto, “nunca demonstrou qualquer interesse na resolução deste problema que iria afetar toda a gente que tinha voos de e para as Flores”.
“Começámos a alertar a ANA que isso iria acontecer após o corpo de bombeiros atingir o número limite das 200 horas durante este ano. Essa comunicação foi dada à ANA em agosto de 2025. Infelizmente, nunca tivemos resposta”, lamentou.
Carlos Silva defendeu que “prevaleceu o interesse maior” de “garantir continuidade do serviço” e a “normalização do funcionamento do aeroporto”, destacando o “espírito de diálogo, responsabilidade e compromisso” dos bombeiros.
Já em maio, a Associação adiantou, que, após auscultação dos bombeiros, que prestam serviço na infraestrutura aeroportuária das Flores, “foi deliberado prorrogar o prazo para dia 01 de julho”, justificando que a decisão representa “um gesto de boa vontade e responsabilidade”.
Em 27 de abril, o PS/Açores questionou o Governo Regional sobre o risco de perturbação na operação aérea na ilha a partir de 01 junho por os bombeiros deixarem de assegurar serviço nas horas extraordinárias no aeroporto.