Edifícios que Banco de Portugal comprou em Entrecampos em 2025 valorizaram 10 milhões

Mário Centeno, ex-governador do Banco de Portugal (BdP), disse que, com base nos valores da solução anunciada hoje por Álvaro Santos Pereira para Entrecampos, os edifícios cuja compra decidiu no ano passado já valorizaram 10 milhões de euros.

© Folha Nacional

O atual governador do BdP anunciou hoje no parlamento que o banco central vai adquirir apenas um edifício em Entrecampos (o A1) e não dois (o A2 e o A3) como estava previsto, defendendo que é uma solução “mais adequada”.

Segundo Álvaro Santos Pereira, foi assinado um acordo com o promotor imobiliário, a Fidelidade, para a aquisição do edifício A1 em `Core & Shell` (núcleo e casca/concha) por 165 milhões de euros.

Em maio do ano passado, o BdP – então ainda liderado por Mário Centeno – anunciou que assinou contrato com a Fidelidade para adquirir as futuras instalações da instituição, pelo valor de 191,99 milhões de euros.

Numa audição que decorreu hoje após à de Álvaro Santos Pereira, Centeno disse que, “a julgar pelos valores que agora vieram a público”, aquilo que o BdP adquiriu no ano passado já valorizou quase 10 milhões de euros.

“Se o BdP fosse vender hoje aqueles dois edifícios no mercado ao preço que está a comprar o A1, eram 10 milhões”, reiterou, deixando a pergunta retórica aos deputados se “10 milhões de euros é pouco na valorização do investimento em menos de um ano”.

“Eu acharia brilhante se me apresentassem esse negócio”, brincou, acrescentando que “não há muitos investimentos desta dimensão que tenham esta capacidade de valorização”.

Quanto aos valores finais de compra dos edifícios, sobre os quais existiam dúvidas no ano passado, Centeno assumiu que a transparência é um valor essencial, mas assegurou que o ministro das Finanças “sabia todos os números sobre este projeto”.

Centeno salientou que ainda hoje o atual governador referiu intervalos de preço para os acabamentos do futuro edifício. Com isso, “o BdP, neste momento, perdeu poder negocial, porque entregou ao mercado o que é a sua disponibilidade para pagar”.

O ex-governador apontou que as negociações obrigavam o banco a contenção na fase negocial, que “se calhar pode estar em choque com visões de transparência”, mas que “se não fosse assim, quem ia perder era o BdP, os seus dividendos, as contas públicas e o acionista do BdP”.

Já sobre a decisão anunciada hoje de passar de dois edifícios para apenas um, Centeno apontou que o A1 é um edifício mais pequeno do que a soma do A2 e A3, sublinhando que, no momento em que o BdP estudou a localização, o banco “não cabia no A1”.

Santos Pereira fundamentou hoje esta decisão com a análise da forma como as equipas operam no edifício da Álvaro Pais, nomeadamente o trabalho em `open space` e a flexibilização do teletrabalho, bem como o reforço da rede regional, que vai permitir menos pessoas a trabalhar em Lisboa.

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