André Ventura garantiu esta segunda-feira, em Évora, que o CHEGA não se deixará intimidar, depois do incêndio que destruiu a sede distrital do partido, e confirmou que foi apresentada uma queixa-crime para que sejam esclarecidas as circunstâncias da ocorrência.
“As circunstâncias não foram normais”, afirmou o presidente do CHEGA, remetendo, contudo, conclusões sobre a origem do fogo para as autoridades responsáveis pela investigação.
“Apresentámos queixa-crime junto das autoridades”, revelou, acrescentando que o partido vai agora “esperar pelas conclusões” e espera uma investigação “rápida e eficaz”.
Ventura distinguiu o incêndio em Évora de outro episódio ocorrido no gabinete parlamentar do CHEGA, na Assembleia da República, onde considera não existirem dúvidas quanto à intenção.
“Aqui não há dúvida de que foi mesmo um ato de intimidação”, afirmou, revelando que a Polícia Judiciária já ouviu dois deputados do partido no âmbito das diligências realizadas.
Apesar dos episódios, deixou uma garantia: “Não nos vão intimidar.”
Governo prepara terreno para cortar pensões
Ventura acusou o Governo de promover um relatório com um “objetivo político” e levantou duas possibilidades: impedir a descida da idade da reforma ou abrir caminho para uma redução futura das pensões.
“Este relatório cá fora para poder cortar pensões. Tem um objetivo político”, acusou.
O presidente do CHEGA garantiu que o partido não aceitará uma redução das reformas e voltou a defender uma das bandeiras que pretende levar para a discussão orçamental: baixar a idade da reforma em Portugal.
“Não vamos permitir nem tolerar. Não conseguirão baixar as pensões com a ajuda do CHEGA”, assegurou.
Ventura classificou ainda o estudo como um “artefacto político”, salientando que foi encomendado pelo Governo e elaborado com participação de trabalhadores escolhidos pelo próprio Executivo.
“O OE tem de começar a abrir caminho para que a idade da reforma comece a descer em Portugal”, afirmou.
Sobre o ministro da Administração Interna, Ventura considera que os últimos acontecimentos representam um novo limite político.
Em causa estão as notícias relacionadas com armas desaparecidas da Polícia Judiciária e posteriormente encontradas na casa de um traficante de droga, situação que Ventura classificou como uma “suspeita absolutamente inaceitável”.
“Um dos locais mais seguros do país e aparece numa casa de um traficante de droga”, criticou.
Perante a sucessão de casos, Ventura deixou um aviso: “Todos têm de assumir a sua responsabilidade.”