Portugal volta a pagar caro: juros da dívida atingem máximos desde 2017

Os juros da dívida pública a 20 anos subiram para 4,26%, o valor mais elevado desde 2017, numa altura em que a escalada da inflação e os receios de novas subidas das taxas de juro estão a castigar as obrigações soberanas.

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Financiar a dívida portuguesa está a tornar-se mais caro. Os juros das Obrigações do Tesouro a 20 anos subiram esta terça-feira para 4,2623%, atingindo o valor mais elevado desde 2017, segundo dados citados pelo ECO.

Portugal não está sozinho nesta escalada. Os mercados obrigacionistas estão sob forte pressão, à medida que os investidores antecipam taxas de juro mais elevadas durante mais tempo, num cenário marcado pelo regresso das preocupações com a inflação.

A subida atravessa as principais economias europeias. Em França, os juros da dívida a 20 anos chegaram aos 4,74%, máximos desde 2008, enquanto em Itália avançaram para cerca de 4,78%. Na Alemanha, tradicionalmente vista como um porto seguro pelos investidores, atingiram aproximadamente 3,77%, também o nível mais elevado desde 2008.

A alimentar a turbulência está a nova escalada do conflito no Médio Oriente, que voltou a pressionar os preços da energia e a aumentar os receios de uma inflação mais persistente. Na Zona Euro, a taxa de inflação acelerou de 2,9% em julho para 3,3% em agosto.

Os mercados antecipam, por isso, um novo aperto da política monetária. O Banco Central Europeu reúne-se a 10 de setembro e os analistas citados apontam para uma nova subida das taxas diretoras em 25 pontos base, admitindo ainda outro aumento em dezembro.

Para Portugal, a mensagem dos mercados é pesada: juros mais altos significam dinheiro mais caro para o Estado. Sempre que o país precisar de emitir nova dívida ou refinanciar títulos que chegam à maturidade, o agravamento das taxas poderá traduzir-se numa fatura de juros mais elevada para as contas públicas.

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