Prepare a carteira: pão vai ficar mais caro a partir de outubro

Trigo panificável e leveduras aumentaram cerca de 10% desde junho. Escalada dos cereais ameaça também massas, cerveja e, numa segunda vaga, carne, leite e ovos.

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A próxima subida de preços no supermercado pode começar a milhares de quilómetros de Portugal. A escalada das cotações dos cereais nos mercados internacionais está a pressionar os custos da indústria alimentar e ameaça chegar, nos próximos meses, à carteira das famílias portuguesas.

Segundo o Jornal Económico, o primeiro impacto poderá sentir-se num dos bens mais básicos: o pão. A Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP) admite ajustamentos nos preços já a partir de outubro, depois de matérias-primas como o trigo panificável e as leveduras terem registado, desde junho, um aumento médio próximo dos 10%.

“Vai subir”, antecipa Débora Barbosa, presidente da associação, embora ainda não seja possível estimar a dimensão do aumento que chegará ao consumidor.

Trigo dispara e Portugal fica mais exposto

A pressão vem sobretudo dos mercados internacionais. Na semana de 28 de agosto, o trigo negociado em Chicago atingiu o valor mais elevado desde 2023, depois de acumular uma valorização próxima dos 37% face aos mínimos registados no final de junho. A instabilidade no Mar Negro, as perturbações logísticas e as condições meteorológicas adversas voltaram a pressionar as cotações.

E não é apenas o trigo que está a encarecer. Segundo os dados citados pelo Jornal Económico, o arroz valorizou mais de 55% nos mercados internacionais, o óleo de soja quase 38%, o açúcar 21% e o milho mais de 15%.

Portugal encontra-se particularmente exposto a estas oscilações, uma vez que produz apenas uma parte dos cereais que consome e depende fortemente das importações para assegurar o abastecimento.

Pão primeiro, massas e cerveja podem seguir-se

A farinha representa cerca de 14% dos custos de produção, enquanto os encargos com pessoal pesam mais de 40%, a distribuição cerca de 16% e a energia 11%.

Ainda assim, quanto mais tempo as matérias-primas permanecerem caras, menor será a capacidade das empresas para absorver os aumentos sem os repercutir no preço final.

E a pressão não termina no pão. O trigo duro é uma matéria-prima essencial para as massas alimentícias, enquanto a cevada é indispensável à produção de malte utilizado pela indústria cervejeira. Portugal produz apenas cerca de 17% da cevada de que necessita, segundo o presidente da ANPOC — Associação Nacional de Produtores de Cereais, Oleaginosas e Proteaginosas.

Carne, leite e ovos podem sofrer segunda vaga

O aumento dos cereais pode ainda chegar a produtos que, à primeira vista, parecem distantes deste mercado. Milho, trigo e cevada são componentes fundamentais das rações utilizadas na produção pecuária, pelo que uma subida prolongada das cotações aumenta também os custos suportados pelos produtores.

Carne, leite e ovos poderão, assim, enfrentar uma segunda vaga de pressão. O efeito não será necessariamente imediato, devido à existência de contratos, reservas e compras antecipadas, mas se os cereais permanecerem caros durante vários meses, o aumento dos custos poderá percorrer toda a cadeia alimentar até chegar ao consumidor.

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