Segundo a CMVM, os burlões procuram frequentemente estabelecer uma relação de confiança com as potenciais vítimas, aproveitando a falta de informação ou de experiência em matérias financeiras, mediante contactos por telefone, SMS, WhatsApp, correio eletrónico ou redes sociais como Facebook, Instagram, YouTube e TikTok.
As ofertas apresentadas são, em muitos casos, aparentemente muito atrativas, com promessas de rendimentos elevados ou garantidos e sem risco.
Os autores das fraudes procuram transmitir uma imagem de credibilidade, recorrendo a linguagem técnica e apresentando-se como conhecedores dos produtos e mercados financeiros.
Entre os sinais de alerta identificados pela CMVM estão a pressão para uma decisão rápida, sem possibilidade de consultar familiares, amigos ou profissionais, e as tentativas de afastar a vítima de pessoas que possam alertá-la para a possibilidade de fraude.
Os burlões podem também apresentar-se como amigos, familiares afastados, vizinhos ou representantes de entidades conhecidas, recorrendo a conversas, apresentações ou demonstrações para criar um ambiente de confiança.
A entidade alerta ainda para a existência de campanhas de publicidade que incluem vídeos, notícias e outros conteúdos falsos, utilizando de forma abusiva o nome e a imagem de personalidades públicas ou de instituições reconhecidas.
O recurso a novas tecnologias, incluindo Inteligência Artificial (IA), está também a facilitar a propagação destes esquemas, pelo que a CMVM aconselha os investidores a não assumirem como autênticos vídeos, notícias, entrevistas ou outros conteúdos nas redes sociais apenas por apresentarem personalidades conhecidas ou instituições oficiais.
A CMVM sublinha ainda que nunca contacta investidores através da aplicação WhatsApp e que os seus contactos são exclusivamente realizados através de remetentes com o domínio “@cmvm.pt”, alertando para a existência de domínios semelhantes, mas não legítimos.
Perante um contacto suspeito, a entidade recomenda que não sejam descarregados anexos, acedidos ‘links’ ou clicada publicidade, nem permitido o acesso remoto ao telemóvel ou computador por aplicações de partilha de ecrã.
A CMVM aconselha igualmente a não fornecer credenciais bancárias ou dados pessoais, não transferir dinheiro para alegadas recuperações de investimentos anteriores ou para o pagamento de supostas comissões, seguros, impostos ou outras despesas administrativas.
É também desaconselhado depositar fundos ou investir em produtos apresentados por contactos não verificados.
Antes de realizar qualquer investimento, os investidores devem verificar se a entidade que apresenta a oportunidade está autorizada a exercer atividade em Portugal, através da lista de intermediários financeiros autorizados disponibilizada pela CMVM.
Através do Portal Institucional ou do Portal do Investidor da CMVM é possível verificar a veracidade da informação que é partilhada, inclusive alegadas notícias difundidas por meios de comunicação social.
Caso receba contactos ou solicitações fraudulentas, os investidores podem contactar a Linha de Apoio ao Investidor, através do número 800 205 339, ou pelo endereço de correio eletrónico investidor@cmvm.pt.
A CMVM ressalva que o contacto com a autoridade não substitui a necessidade de apresentar uma denúncia junto das autoridades competentes para a investigação e repressão de ilícitos criminais.