Quando o óbvio, o ético e o certo se tornam “radicais”

Uma das maiores fraudes que a comunicação social vendida mais trabalha para esconder e mais transpira para manter é o simples facto de que muitas das posições e das políticas que hoje procuram classificar como de “extrema-Direita” estavam, há bem pouco tempo, perfeitamente integradas no espaço de consenso político das democracias ocidentais.

Aliás, a defesa das fronteiras, a afirmação da concepção natural da família, a inegociabilidade da soberania nacional, a insistência na segurança pública, a exigência de uma responsabilidade financeira do Estado e o combate ao amiguismo, ao compadrio, às redes de interesses e à corrupção nunca foram entendidas como manifestações de radicalismo e muito menos como apenas de Direita. Muito pelo contrário, estas ideias e as políticas públicas que delas emanaram eram entendidas – e bem – como tendo o seu mais firme fundamento na tradição política e jurídica que moldou o Ocidente e que assenta, segundo uma leitura histórica solidificada, na síntese entre a Razão grega, a Jurisprudência romana e a Fé judaico-cristã.

Assim sendo, o discurso contrafeito e ideologicamente aberrante que hoje encontramos em tanta Esquerda fanática e nos seus apóstolos jornalísticos levanta, por isso, uma questão tão pertinente, quanto incontornável, nomeadamente a seguinte: Terão estas ideias mudado de natureza ou terá sido o próprio centro político que se deslocou?

A análise objectiva e despreconceituosa da regressão, da desconfigurarão e da descaracterização política a que temos assistido nos últimos vinte e cinco anos, incluindo em Portugal, aponta, de forma muito clara, que aquilo que outrora constituía uma posição clara, moderada e de amplo consenso é presentemente apresentada como radical, o que, por sua vez, reflecte uma redefinição pérfida e perigosa das fronteiras do debate público, o qual está crescentemente influenciado e até determinado por correntes políticas e culturais que não estão minimamente interessadas em afirmar ou defender conceitos como a Identidade Nacional, a Soberania dos Povos, a Liberdade das Populações, a inviolabilidade da Vida Humana, a santidade da Família Natural ou a defesa dos princípios, dos valores e do legado histórico que nos define como nação milenar, mas sim desafiar, desconstruir e negar todos os pilares que nos sustentam como Povo, substituindo-os por uma amálgama ideológica corrosiva e de índole niilista, cuja finalidade última é a desconstrução da Nação e a substituição dos seus fundamentos civilizacionais por modas que afrontam a ordem natural das coisas, rejeitam o bom senso, degradam a sensibilidade humana e procuram extinguir a Fé que sustenta toda a nossa existência.

Assim, defender que um Estado deve controlar eficazmente as suas fronteiras e combater a imigração ilegal corresponde ao exercício de uma competência inerente à soberania de qualquer país. Sustentar que indivíduos condenados por crimes graves ou que entram ilegalmente devem ser sujeitos às consequências previstas na lei e expulsos do país insere-se no funcionamento normal de um Estado. Valorizar a família natural enquanto espaço privilegiado de proteção, educação e solidariedade entre gerações é uma ideia que emana do mais básico bom senso. Defender a identidade cultural de uma nação e o seu património histórico, respeitar as autonomias territoriais, garantir a segurança das populações, proteger a vida humana, assegurar o controlo do espaço marítimo contra o tráfico e a pesca ilegal, apoiar a agricultura e as pescas como pilares da soberania alimentar e exigir rigor na gestão dos recursos públicos através do combate à corrupção, ao favoritismo e aos conflitos de interesse são posições fundamentais do exercício democrático.

Por isso, substituir a realidade objetiva dos factos pelos epítetos que melhor servem a ignorância da Esquerda fanática, da comunicação social parasitária e dos malucos do clima é, pura e simplesmente, alimentar, perpetuar e legitimar uma mentira que, perante a evidência inequívoca dos factos e da própria realidade, é facilmente desmontável por qualquer observador intelectualmente honesto.

Portugal enfrenta desafios reais na imigração descontrolada, na corrupção corrosiva da Causa Pública, na proliferação do amiguismo e do compadrio, no ataque cerrado à Família e à Vida, na manietação do Estado para fins partidários, na destruição do tecido produtivo e da soberania alimentar, no aprofundamento danoso da dependência energética e na perda acentuada – e porventura irreversível – da soberania política e económica para entidades externas que estão sob o domínio de interesses ocultos, designadamente a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Vencer tais desafios não constitui apenas uma necessidade política, mas um imperativo civilizacional, pois da nossa determinação dependerá o futuro de Portugal e a continuidade da matriz espiritual, moral e cultural que edificou o Ocidente.

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