“Esperamos que o Banco Central Europeu anuncie um segundo aumento da taxa de juro na reunião de 10 de setembro, elevando a taxa dos depósitos para os 2,5%”, refere o diretor de investimento global de Mercados Públicos da Allianz Global Investors (AllianzGI), Michael Krautzberger.
Esta revisão em alta colocaria a taxa de facilidade de depósito em 2,5%, o limite superior da zona neutra.
Krautzberger estima que o BCE eleve as previsões do PIB em 0,1 pontos percentuais para este ano (0,9%) e no próximo (1,3%), refletindo a resiliência recente e a melhoria nos inquéritos de sentimento face às perspetivas futuras, enquanto a da inflação deverá descer para 2,8% (-0,2 pontos percentuais) este ano e atingir os 2,6% no próximo ano (mais 0,3 pontos percentuais).
O responsável da AllianzGI não descarta, no entanto, um novo aumento ainda antes do fim do ano.
“Acreditamos que é provável outro aumento de 25 pontos base em dezembro”, diz, no comunicado.
Já do lado da Ebury, o analisat Roman Ziruk acredita que esta será a última vez que o BCE vai mexer nas taxas diretoras este ano.
“Atualmente, os mercados estão a antecipar outra subida em dezembro e uma nova em março. Julgamos que é muito agressivo. O economista-chefe do BCE, Philip Lane, apontou para 2,5% como o limite superior da zona neutra, por isso um aperto acima do deste mês empurraria a política para terreno restritivo”, refere a previsão da Ebury.
No entender desta previsão, setembro deverá marcar a última subida neste ciclo, ainda que “claro, muito dependa da evolução da guerra no Irão”.
Citado pela Europa Press, o diretor global de macroeconomia da ING Research, Carsten Brzeski, acredita que a decisão será “um aumento das taxas de juro por precaução”.
“Com os preços do petróleo ainda elevados e o risco de uma nova subida drástica do preço do gás a aumentar, a maioria dos responsáveis da política monetária do BCE terá dificuldades em não ver motivos suficientes para mais um aumento das taxas”, acrescentou.
O analista considerou ainda que ir além dos 2,5% seria “atirar mais lenha para a fogueira” num cenário de problemas para as finanças públicas e com o aumento dos juros da dívida.
Daí, Carsten Brzeski disse ser “difícil imaginar que o BCE esteja disposto a arriscar uma recessão para fazer face ao que continua a ser um caso típico de crise de oferta”.
O Conselho de Governadores do BCE reúne-se quarta e quinta-feira em Berlim para decidir o futuro da política monetária da zona do euro.
Na reunião de julho, o Conselho de Governadores manteve por unanimidade as taxas diretoras, como era esperado pelo mercado, depois de na anterior reunião de política monetária, em 11 de junho, ter aumentado, pela primeira vez desde 2023, as três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais para responder ao aumento dos preços globais provocado pelo conflito do Médio Oriente.
Na ocasião, presidente do BCE, Christine Lagarde, acrescentou na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Governadores que em setembro o BCE teria mais dados novos para tomar a decisão sobre as taxas diretoras e que, por isso, seria possível que decidisse aumentá-las no encontro que hoje começa.