No passado dia 6 de setembro ocorreram as eleições para o parlamento regional da Saxónia-Anhalt, na Alemanha, onde o partido AfD (Alternativa para a Alemanha), encabeçado por Ulrich Siegmund, conquistou 39 deputados, com o resultado histórico de 44% dos votos. Embora tenha obtido uma votação extraordinária, o partido não conseguiu obter a maioria necessária (42 deputados) e terá de conquistar o apoio dos outros partidos para garantir a governabilidade.
A CDU (União Democrata-Cristã) não conseguiu passar da marca dos 17,2%, uma queda de 19,9 pontos percentuais face a 2021, enquanto os partidos de esquerda, como o SPD (Partido Social-Democrata), os Verdes e o Die Linke (A Esquerda), não conseguiram alcançar mais do que 9,3% dos votos, tendo obtido 8 deputados cada um.
Por fim, o BSW (Aliança Sahra Wagenknecht) entrou para o parlamento pela primeira vez, com 5 deputados, tendo obtido pouco mais de 5,3% dos votos.
Tendo em conta os resultados desta eleição, existem dois grandes cenários pós-eleitorais possíveis:
1. Hipótese mais realista: um governo minoritário da AfD, já que todos os outros partidos declararam que não iam deixá-la obter poder governamental, aplicando o famoso cordão sanitário existente na cultura política alemã.
2. O cenário menos provável: a criação de uma coligação pós-eleitoral da CDU ao Die Linke para barrar a entrada da AfD no governo regional, embora a CDU já tenha anunciado que não vai fazer um acordo com a esquerda.
Mesmo que eventualmente fosse criada essa coligação complexa de partidos, esta ficaria com 39 deputados apenas, o que tornaria a formação de um governo estável ainda mais difícil.
Para muitos, é apenas uma eleição comum, ou, para os media tradicionais, é uma eleição em que os “radicais” estão a crescer; porém, para os mais atentos ao assunto, é uma questão muito maior e estratégica, já que, com a vitória neste ato eleitoral, a AfD poderá abrir caminho para se expandir ainda mais além dos estados do leste — mais pobres e que se sentem abandonados pela Federação —, abrindo a possibilidade de um governo AfD já nas próximas eleições para o Bundestag.
E caso a AfD consiga governar a Alemanha, esta conseguirá espalhar a ideia de uma Europa patriota e soberanista pelo continente europeu, já que a Alemanha e a França têm o maior poderio económico e industrial de toda a União Europeia. Assim, medidas como a remigração em massa dos imigrantes ilegais, a exigência de fronteiras europeias mais seguras e o combate à degeneração da sociedade deixam de ser consideradas e tratadas como tabu e passam a ser abordadas no debate mediático do espaço Schengen.