Portugal trabalha mais, mas produz pouco: produtividade está pior face à UE do que em 2000

A economia portuguesa cresce e emprega mais, mas continua a falhar onde mais conta para criar riqueza: no valor produzido por cada hora de trabalho. Em 2025, a produtividade portuguesa ficou em apenas 66,9% da média da União Europeia, abaixo do nível registado no início do século. A Business Roundtable Portugal alerta ainda para salários comprimidos, falta de investimento e dificuldades em reter trabalhadores qualificados.

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Portugal conseguiu aumentar o emprego e fazer crescer a economia, mas esse dinamismo continua sem chegar à produtividade. É uma das principais conclusões do relatório ‘Comparar para Crescer’, da Business Roundtable Portugal (BRP), associação que reúne líderes de 46 grandes empresas, consultado pelo jornal ECO Online.

Em 2025, o valor produzido por cada hora de trabalho em Portugal correspondia a apenas 66,9% da média da União Europeia. O país ocupa agora o 24.º lugar entre os 27 Estados-membros e está mais distante da média comunitária do que estava no início do século.

O contraste é particularmente evidente porque a economia portuguesa cresceu. Segundo a BRP, o PIB acumulou uma subida de 26%, acima dos 19,3% da média europeia. A taxa de emprego também avançou significativamente, passando de 63,4% em 2013 para 79,6% em 2025.

Ou seja: há mais pessoas a trabalhar e a economia cresceu, mas o valor criado por cada hora trabalhada não acompanhou o ritmo.

Mais emprego, mas em setores que criam menos valor

A BRP encontra parte da explicação no tipo de emprego criado. Dos cerca de 684 mil novos postos de trabalho contabilizados entre 2011 e 2024, mais de 60% surgiram em setores com menor valor acrescentado por trabalhador, como alojamento e restauração, atividades administrativas, agricultura e pescas.

O contraste surge nas tecnologias de informação e comunicação: os cerca de 81 mil empregos criados neste setor apresentam um valor acrescentado bruto por trabalhador muito superior, de 61,8 mil euros, revela a mesma fonte.

Salário mínimo ganha peso e BRP alerta para compressão salarial

O relatório deixa ainda um alerta sobre os salários. Entre 2002 e 2024, a proporção de trabalhadores por conta de outrem que recebem o salário mínimo passou de 5% para 21%.

A BRP considera que a subida do salário mínimo, quando não é acompanhada por aumentos proporcionais da produtividade e dos restantes salários, provoca uma compressão salarial que reduz a margem das empresas para distinguir qualificações e mérito e dificulta a retenção de talento.

Há ainda outro problema estrutural: mais de 93% das empresas portuguesas são microempresas. Nestas, o valor acrescentado por trabalhador ronda os 26 mil euros, contra 63 mil euros nas grandes empresas.

Investimento continua aquém da Europa

A falta de investimento completa o diagnóstico, ressalva o ECO Online. Em 2025, Portugal investiu o equivalente a 20,7% do PIB, abaixo dos 21,3% registados na União Europeia. No investimento público, a diferença é maior: 3% do PIB em Portugal contra cerca de 4% na média europeia.

Para inverter o atraso, a BRP aponta como prioridades mais investimento produtivo, investigação e desenvolvimento, digitalização e automação, redução da carga fiscal sobre o trabalho, maior previsibilidade nos licenciamentos e melhores condições para as empresas ganharem dimensão.

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