Ventura vai presidir à CPI sobre Luís Neves: “Não deixarei que haja bloqueadores da verdade”

André Ventura anunciou este sábado, em Coimbra, que vai assumir pessoalmente a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. Líder do CHEGA promete uma investigação “até ao fim”, garante que não haverá bloqueios aos restantes partidos e deixa um aviso: “Não deixarei que Luís Neves, nem outros Luís Neves, sejam bloqueadores da verdade.”

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O presidente do CHEGA, André Ventura, anunciou este sábado que vai presidir à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a avaliar a atuação de Luís Neves durante os mandatos à frente da Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026.

O anúncio foi feito pelo presidente do CHEGA na sede do partido em Coimbra, onde garantiu que pretende conduzir pessoalmente os trabalhos de uma comissão que considera particularmente relevante.

“Vou presidir a esta CPI. O CHEGA vai investigar até ao fim”, afirmou Ventura, sublinhando que se trata de uma decisão que não toma “de ânimo leve”.

A comissão parlamentar tem como objeto a avaliação da intervenção de Luís Neves enquanto diretor da Polícia Judiciária durante os seus mandatos, entre 2018 e 2026, e a eventual responsabilidade de membros do Governo que o nomearam e tutelaram. A constituição da comissão consta já da atividade parlamentar da XVII Legislatura.

Ventura defendeu que a CPI deverá recorrer a toda a colaboração e documentação necessárias ao esclarecimento dos factos e prometeu não colocar obstáculos à intervenção das restantes forças políticas.

“Não haverá, da parte do CHEGA, nenhum bloqueio», assegurou, acrescentando que pretende garantir que «todos terão uma voz” durante os trabalhos.

O líder do CHEGA reconheceu que o facto de assumir a presidência da comissão poderá suscitar críticas dos adversários quanto à imparcialidade dos trabalhos, mas rejeitou antecipadamente essa leitura.

“As CPI não são partidárias. É uma investigação que tem de levar até ao fim a verdade”, afirmou.

Ventura deixou depois uma das declarações mais duras da conferência de imprensa: “Não deixarei que Luís Neves, nem outros Luís Neves, sejam bloqueadores da verdade.”

O presidente do CHEGA garantiu que a comissão será “norteada pela verdade” e prometeu uma investigação sem bloqueios. “Vamos trabalhar, e muito, para chegar ao resultado de se apurar a verdade”, acrescentou.

A criação da CPI conheceu vários avanços e recuos. O CHEGA apresentou diferentes requerimentos e, em setembro, aceitou limitar o objeto da investigação depois das reservas colocadas pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

Ventura “estupefacto” com PSD sobre revisão constitucional

André Ventura aproveitou ainda as declarações em Coimbra para voltar ao tema da revisão constitucional, manifestando “estupefação” perante a possibilidade de o PSD procurar um entendimento com o PS.

“Não quero deixar de reforçar a estupefação de o primeiro-ministro ter dito que irá alinhar com o PS”, afirmou.

PSD e CHEGA tinham chegado a acordo para suspender até 30 de dezembro o prazo para a apresentação dos projetos de revisão constitucional. Ventura tem defendido alterações à Constituição, nomeadamente em matérias relacionadas com a Justiça.

O líder do CHEGA criticou agora aquilo que considera ser um recuo dos sociais-democratas: “Ficou claro que o país necessita de mudanças constitucionais”, afirmou, apontando a Justiça como uma das áreas que considera prioritárias.

“Vejo com estupefação este voltar atrás do PSD, de haver a possibilidade de não haver revisão da Constituição”, concluiu.

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