Preço médio da eletricidade no mercado livre supera tarifa regulada desde 2023

O preço médio da eletricidade pago pelos consumidores domésticos no mercado livre mantém-se acima do praticado no mercado regulado desde meados de 2023, embora a diferença tenha diminuído ao longo de 2025, segundo um relatório da ERSE.

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De acordo com a segunda edição do Relatório da Evolução dos Preços Médios Faturados e das Margens Comerciais no Mercado Retalhista de Eletricidade da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), os preços médios faturados pelos comercializadores de último recurso, que praticam as tarifas reguladas, estão “sistematicamente abaixo” dos preços cobrados no mercado livre desde meados de 2023.

A diferença entre os dois mercados atingiu o valor máximo no terceiro trimestre de 2024, tendo começado a diminuir a partir desse período, sobretudo ao longo de 2025, devido à descida dos preços praticados no mercado livre.

Apesar de os preços médios faturados no mercado livre se manterem superiores aos do mercado regulado, a ERSE identificou, em todos os trimestres de 2025, ofertas comerciais mais baratas do que a tarifa regulada, que representavam entre 20% e quase 40% das ofertas disponíveis, consoante o trimestre e o perfil de consumo.

Segundo o regulador, esta diferença entre os preços efetivamente pagos e os das ofertas disponíveis revela a existência de muitos consumidores com contratos antigos, mais caros do que as novas ofertas comerciais.

A ERSE considera que esta situação sugere “alguma inércia dos consumidores quanto à mudança de comercializador”, o que limita os benefícios do mercado livre, recomendando a renegociação dos contratos ou a procura de ofertas mais vantajosas.

O relatório, que analisa a evolução dos preços e das margens comerciais entre 2021 e 2025, revela ainda que os preços médios da eletricidade voltaram a descer nos últimos três trimestres de 2025, devido à redução dos custos da componente de energia, sobretudo no segundo trimestre, depois de uma tendência de subida iniciada em 2024.

A evolução dos preços nos últimos cinco anos foi marcada por uma volatilidade significativa, nomeadamente em 2022 e 2023, quando a redução das tarifas de acesso às redes, que chegaram a assumir valores negativos em alguns trimestres, permitiu atenuar ou mesmo inverter os aumentos dos custos da energia.

O documento mostra também que, em 2025, 98% da eletricidade comercializada no mercado livre para clientes domésticos foi contratada a preço fixo, enquanto nos grandes clientes 83% da energia foi vendida através de contratos indexados aos preços de mercado.

Segundo a ERSE, os clientes domésticos, onde predominam contratos a preço fixo, registaram uma resposta mais lenta à subida dos preços em 2021 e 2022. “Em contrapartida, foi também este o último segmento a ajustar os preços em baixa, quando os preços de mercado voltaram a descer”, sublinha o regulador.

Quanto às margens comerciais, o regulador conclui que estas apresentaram sempre valores positivos nos segmentos doméstico e dos pequenos negócios em 2025.

Já nos segmentos dos grandes clientes e dos clientes industriais, as margens comerciais estimadas podiam assumir valores positivos ou negativos, consoante a estratégia de aprovisionamento considerada.

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