CHEGA vai propor revogação das novas regras de distribuição de processos judiciais

©Folha Nacional

O presidente do CHEGA anunciou que vai entregar no parlamento um projeto de lei para revogar as novas regras de distribuição eletrónica dos processos nos tribunais, que entram hoje em vigor.

“Ainda hoje vamos dar entrada com um projeto de resolução precisamente para suspender esta portaria e de um projeto de lei para revogar estas normas, que são prejudiciais para a área da justiça”, anunciou André Ventura.

Numa declaração aos jornalistas na Assembleia da República, o deputado defendeu que “estas regras vão entupir e atrasar ainda mais um sistema de justiça que já está muito lento nas suas diferentes fases” e apontou que “isto só interessa a quem não quer que a justiça aconteça”.

O líder do CHEGA referiu-se também ao decreto da morte medicamente assistida, que deverá ser confirmado pelo parlamento na sexta-feira, o que obrigará à promulgação pelo Presidente da República.

Ventura considerou que esta é uma “má notícia” e reiterou que “é fundamental que o Tribunal Constitucional tenha uma palavra a dizer”.

Neste âmbito, André Ventura abordou também o anúncio por parte do líder parlamentar do PSD, Joaquim Miranda Sarmento, de que subscreverá um pedido de fiscalização sucessiva ao diploma que regula a eutanásia se um grupo de deputados sociais-democratas avançar, mas tal não será feito de forma oficial pela bancada.

O líder do CHEGA indicou que vai propor ao PSD “uma participação conjunta”, mesmo depois de o presidente do PSD, Luís Montenegro, já ter garantido que o sociais-democratas não vão fazer contactos com outros partidos, dado que tem “deputados mais do que suficientes para suscitar essa fiscalização”.

Em abril, Ventura disse que iria tentar recolher as assinaturas necessárias para pedir a pronúncia do Tribunal Constitucional depois de a lei sobre a morte medicamente assistida entrar em vigor (23, sendo que o CHEGA tem 12 deputados), mas não conseguiu.

Questionado também sobre uma manifestação convocada pelo partido, através das redes sociais, para sábado em Lisboa, o presidente do CHEGA referiu que o objetivo é “fazer um cerco à sede do PS para mostrar indignação à forma têm governado o país” e que espera “uma manifestação ordeira e pacífica”.

As novas regras para a distribuição eletrónica dos processos entram hoje em vigor, apesar da contestação da magistratura judicial e do Ministério Público (MP), que alertaram para o impacto que as medidas podem ter no sistema judicial.

De acordo com a regulamentação estabelecida na portaria publicada no final de março, a distribuição eletrónica passa a exigir a presença diária de diversos agentes da justiça para assistir à sua realização, como o presidente do tribunal, que designa “um juiz para presidir e um substituto, para os casos em que aquele se encontre impedido”, um magistrado do MP, um oficial de justiça (e um substituto, designados pelo administrador judiciário ou secretário do tribunal) e um advogado.

Além desta circunstância, têm de ser elaboradas atas às quais são anexados os resultados da distribuição, bem como a obrigatoriedade de divulgar as decisões, deliberações, provimentos e orientações que, “nos termos da lei, podem condicionar as operações de distribuição, permitindo um escrutínio efetivo”.

Por isso, o próprio Ministério da Justiça já veio reconhecer que as alterações podem significar uma maior carga burocrática sobre o sistema.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA quer que os profissionais da Força Especial de Proteção Civil passem a ser reconhecidos como profissão de desgaste rápido, defendendo que as funções que exercem justificam regras específicas no acesso à aposentação.
A carga fiscal em Portugal manteve-se em níveis elevados em 2025, fixando-se nos 35,4% do Produto Interno Bruto (PIB), ligeiramente acima dos 35,2% registados no ano anterior.
O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, arguido no processo relacionado com despesas em almoços de dirigentes municipais, afirmou que “odeia o que André Ventura representa”.
A Câmara Municipal de Matosinhos adjudicou, por ajuste direto, um contrato à sociedade de advogados Vieira de Almeida, onde a filha da presidente socialista da autarquia, Luísa Salgueiro, exerce funções como advogada estagiária.
A repressão dos protestos no Irão chegou ao Parlamento português. O CHEGA apresentou uma proposta que recomenda ao Governo a expulsão do embaixador iraniano em Portugal, acusando o regime de Teerão de violar direitos fundamentais e reprimir violentamente manifestações pró-democracia.
O CHEGA vai indicar Rui Gomes da Silva para o Conselho Superior da Magistratura e Fernando Silva para o Conselho Superior do Ministério Público, ambos membros do "Governo sombra" do partido, indicou hoje André Ventura.
O líder do CHEGA revelou hoje que chegou a acordo com o PSD sobre as eleições para os órgãos externos e anunciou que os dois partidos vão apresentar uma lista conjunta de candidatos ao Conselho de Estado.
O CHEGA apresentou no Parlamento um projeto de lei que pretende restringir a realização de celebrações muçulmanas em espaços públicos e impor novas regras no financiamento e construção de novas mesquitas no país.
O líder do CHEGA associa a subida do custo de vida à guerra na Ucrânia e defende descida de impostos para aliviar os portugueses.
O grupo municipal do CHEGA em Oeiras apresentou uma moção de censura ao executivo liderado por Isaltino Morais, na sequência da acusação do Ministério Público relacionada com despesas em refeições pagas com fundos públicos.