Federação diz que cada vez mais médicos recusam fazer mais horas extra

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) avisou hoje que há "cada vez mais" médicos "por todo o país" a recusar exceder as 150 horas extraordinárias e acusou a administração do hospital de Viana do Castelo de chantagem.

© D.R.

“São cada vez mais os médicos que, por todo o país, se recusam a exceder o limite legal das 150 horas suplementares, sendo que, em alguns serviços, já não há médicos disponíveis, como é caso relatado na ULSAM [Unidade de saúde Local do Alto Minho]”, diz em comunicado a federação, alertando que a situação “acabará por se manifestar em outras unidades do SNS [Serviço Nacional de Saúde]”.

Segundo a FNAM, além da situação em Viana do Castelo, já noticiada na semana passada, também em Bragança, na ULS do Nordeste, “a Medicina Interna e a Pediatria estão com 100% de médicos sem mais horas suplementares para fazer”.

“Na Cirurgia Geral e na Medicina Intensiva são 90 e 80% os médicos indisponíveis para fazer mais trabalho suplementar, respetivamente”, acrescenta.

No mesmo comunicado, a FNAM acusa a administração do hospital de Viana do Castelo de pressionar e chantagear os médicos a trabalhar mais do que as 150 horas suplementares.

“Faremos denúncia às entidades competentes e não nos deixaremos atemorizar quando sabemos ter a razão e a lei do nosso lado”.

Lembrando que “o limite das 150 horas de trabalho suplementar é uma norma imperativa, que se impõe ao próprio CA [conselho de administração] e decorre da lei e do Acordo Coletivo de Trabalho”, a FNAM aponta que “os médicos, como qualquer trabalhador, não estão sujeitos ao cumprimento de todas as ordens que lhe são dirigidas pela respetiva hierarquia”.

“A ordem, como é o caso presente, é ilegal e ilegítima”, resume a federação.

A FNAM descreve que no final da semana passada, o CA colocou na escala do serviço de urgência do fim de semana médicos de férias, assim como médicos que tinham já manifestado indisponibilidade para fazer mais do que as 150 horas extraordinárias anuais legalmente previstas.

“Registaram-se tentativas de intimidação e desrespeito de direitos laborais dos médicos de Medicina Interna da ULSAM, que foram coagidos e alguns deles obrigados a trabalhar à margem do previsto na lei, tendo sido escalados, apesar de terem já ultrapassado o limite legal das 150 horas suplementares”, destaca a FNAM.

De acordo com a federação, no sábado, o Serviço de Urgência funcionou com três pessoas, “quando nesta unidade são necessárias quatro”.

No domingo foram “apenas dois elementos”, diz a federação dos médicos.

“Acresce que, no sábado, uma das três pessoas que entrou na escala para substituir os médicos que entregaram as declarações de indisponibilidade para exceder as 150 horas suplementares foi o diretor do Serviço de Urgência e, no domingo, o diretor da Medicina Interna”, acrescenta.

Para a FNAM “a intimidação, a chantagem e os atropelos são consequência de administrações que abriram mão de colocar os utentes em primeiro lugar e escolhem não respeitar a lei em vez de assumir a evidência de que faltam médicos para que o SNS continue a cumprir com o seu papel”.

A federação, que está em caravana pelo país e hoje tem iniciativas na Guarda, frisa que “os médicos também têm direito, enquanto profissionais e trabalhadores, à saúde, ao descanso e à vida familiar”.

“Independentemente do grau de abuso dos CA, entendemos que a responsabilidade de toda esta situação é do Ministério da Saúde e do Governo, que continuam sem fazer o que é preciso para contratar e fixar mais médicos no SNS”, conclui.

A agência Lusa solicitou uma reação à administração da ULSAM que não se quis pronunciar.

Na sexta-feira a FNAM avançou que clínicos do hospital de Viana do Castelo não iriam comparecer no serviço de urgência no fim de semana.

Já a administração da ULSAM indicou também à Lusa que as escalas de Urgência do fim de semana estavam “a ser preenchidas”, apesar de um total de 75 médicos terem apresentado “declarações unilaterais de indisponibilidade de realização de serviço para além das 150 horas”.

Últimas do País

A PSP recolheu este ano, em dois meses, 265 armas de fogo e quase seis mil munições e cartuchos, mais do que nas operações realizadas nos dois últimos anos, avançou hoje esta polícia.
A GNR anunciou hoje que dois homens de 23 e 55 anos, de Vila do Conde, foram constituídos arguidos pelo crime de contrafação de marcas conhecidas, tendo apreendido artigos avaliados em cerca de 40 mil euros.
Noite entre amigos terminou em tragédia. Uma pistola de calibre 6,35 milímetros terá disparado acidentalmente enquanto era manuseada dentro de um café. Jovem foi atingido na cabeça e luta pela vida nos Cuidados Intensivos do Hospital de Braga.
Quase 1500 processos chegaram à PSP e à GNR em apenas seis meses, mas as autoridades admitem que o instinto dos pais de protegerem os filhos pode estar a esconder uma realidade muito maior.
Registos foram reorganizados e quase 170 mil inscritos ficaram fora do universo elegível. Ainda assim, mais de 1,36 milhões de utentes que cumprem os critérios continuam à espera de um médico.
Pontos que não aparecem, ofertas que falham e problemas com campanhas estão entre as principais razões de queixa. Setor soma praticamente tantas reclamações em oito meses como em todo o ano passado.
O tempo de espera para primeira observação de doentes urgentes no Hospital Amadora-Sintra era, na manhã de hoje, de quase 11 horas, segundo o portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Funcionário estranhou ver o saco abandonado durante vários dias nas imediações de uma unidade hospitalar, em Alvalade, e decidiu entregá-lo à PSP. Lá dentro estavam milhares de euros, droga, certificados de aforro avaliados em 16 mil euros e dois telemóveis.
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) denunciou hoje que persistem “2.650 horários em oferta de escola que cobrem a mais de 50 mil horas” por preencher, a poucos dias do início do ano letivo.
A doença de Newcastle foi já confirmada em aves selvagens em quatro ilhas nos Açores, revelou hoje o diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, acrescentando que até ao momento não foi detetada em aves de capoeira.