Privados disponíveis para aprofundar relação com SNS mas de forma estratégica

O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APAH), Óscar Gaspar, considerou esta segunda-feira preocupante a crise no Serviço Nacional de Saúde e manifestou a disponibilidade do setor para aprofundar relações, mas de forma estratégica e planeada.

© Facebook / APHP

Hospitais do país estão a enfrentar dificuldades em garantir escalas completas das equipas, sobretudo para os serviços de urgência, devido à recusa dos médicos em fazer mais do que as 150 horas extraordinárias anuais previstas na lei, uma situação que tem provocado encerramentos e constrangimentos nos serviços de urgências.

Questionado pela agência Lusa à margem da conferência “O papel do setor privado na saúde” sobre se o setor privado pode reforçar o apoio caso seja necessário, Óscar Gaspar afirmou que os hospitais privados estão “disponíveis para colaborar mais”, mas que essa “colaboração deve ser estratégica e planeada”.

“Não é pensável numa área como a saúde que se diga. No próximo fim de semana, ou no próximo mês, é preciso isto ou aquilo. Isto pode acontecer se for para resolver um problema de urgência, mas em termos de dar garantia aos cidadãos portugueses de que há mais oferta de cuidados de saúde era importante nós termos um planeamento”, defendeu.

Para Óscar Gaspar, seria importante, por exemplo, perceber se seria relevante os privados disponibilizarem médico de família a 100.000 pessoas numa determinada área, o que seria possível, mas disse que têm alertado o Ministério da Saúde e a Entidade Reguladora da Saúde para a importância de ter “um enquadramento de relação” que permitisse aprofundar esta colaboração. Considerou que “esta relação é virtuosa para o país”, mas que não é para dar trabalho aos privados, que têm “os hospitais cheios”, sendo até já “acusados de ter listas de espera”.

“Não precisamos de mais atividade, mas estamos disponíveis, e é possível, de facto, articularmos para funcionar melhor, muitas vezes em áreas diferentes do país”, referiu, observando que, às vezes, a questão não é tanto no Porto, em Lisboa e Coimbra, mas em outras regiões do país, com mais dificuldade de atrair médicos.

Exemplificou que é possível um hospital ter determinadas especialidades e outro hospital ter outras especialidades e assim cobrir as necessidades e não ter que obrigar um cidadão a fazer deslocações de 200 quilómetros para ir a um hospital do Porto, de Setúbal ou de Lisboa.

Aludindo à situação no SNS, Óscar Gaspar considerou “preocupante o que está a acontecer”. Questionado sobre se esta situação está a gerar maior procura dos hospitais privados, disse não ter números, mas adiantou que os hospitais não têm constatado um acréscimo de procura.

Assinalou, porém, o crescimento dos seguros de saúde (32% nos últimos três anos), havendo já mais de 3,4 milhões de pessoas com seguro. “Nesse aspeto noto que as pessoas estão a procurar mais soluções e, porventura, terá de ver com o facto de sentirem que no SNS não têm a resposta que precisam”, vincou.

“O SNS faz hoje bastante mais atividade do que fazia há três, quatro ou cinco anos. Não só recuperou do pré-covid como claramente está bater recordes de atividade e, portanto, o problema não é o SNS ter menos atividade, o problema é que a procura de cuidados de saúde é maior do que aquilo que é acréscimo da oferta que o público tem dado” adiantou. “Nós temos tido alguns problemas estruturais na saúde e o tempo não resolve estes problemas, antes pelo contrário, porque nós temos as populações mais envelhecidas não só da Europa como até do mundo”, alertou.

No que respeita ao setor privado, disse que está “a crescer a um ritmo bastante substancial, 8%, 9% ao ano”. Para responder à procura, disse, os privados investiram em 2022 mais de 250 milhões de euros em edifícios, novos equipamentos, na contratação de profissionais “altamente qualificados”, nomeadamente médicos, e têm “uma estratégia de continuar a investir em mais sítios do país”.

Últimas do País

O presidente da Assembleia da República remeteu para conhecimento dos deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais a exposição que recebeu do juiz desembargador Ivo Rosa com acusações "graves" à atuação do Ministério Público em diversos inquéritos-crime.
A cerimónia de sexta-feira, na Aula Magna, na Reitoria da Universidade de Lisboa, contará com a presença do Presidente da República, António José Seguro, e com muitas intervenções de representantes da Ordem dos Advogados, mas que o bastonário João Massano pretende que seja um momento também para olhar para fora da profissão.
Cerca de 100 concelhos de 12 distritos de Portugal continental apresentam hoje um perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os 24 acidentes em passagens de nível registados em Portugal em 2025 causaram nove mortos, segundo um comunicado oficial divulgado hoje, no qual se destaca que o número não tem diminuído "de forma correspondente" à redução destas infraestruturas.
Os alunos do 4.º que não realizaram a prova de Monitorização das Aprendizagens de Matemática devido à greve dos trabalhadores não docentes de sexta-feira vão fazê-lo no dia 19 de junho, informou hoje o Ministério da Educação.
O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Luís Laginha de Sousa, alertou hoje para as limitações à capacidade de utilização de recursos que o supervisor tem, o que lhe "retira flexibilidade e operacionalidade".
Doze concelhos dos distritos de Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco e Évora apresentam hoje um perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Um homem de 47 anos foi detido na segunda-feira em flagrante delito por ter ateado um incêndio florestal no concelho de Lousada, distrito do Porto, anunciou hoje o Comando Territorial da GNR do Porto.
Portugal está entre os países europeus que mais processa cocaína, tendo sido desmantelados em 2024 quatro laboratórios e apreendidas 23 toneladas, a sexta maior quantidade entre os Estados-Membros da União Europeia (UE).
Os dados realçam o aumento da proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira de 26,3%, em 2024, para 28,8%, em 2025, com as parturientes de nacionalidade estrangeira a residirem sobretudo em municípios do Algarve e da Grande Lisboa.