Organizações de luta contra o tabaco indignadas com desfecho da proposta de lei

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) manifestou hoje “forte indignação” com o desfecho da negociação política da proposta de lei do tabaco, afirmando que o seu “aniquilamento” é mais uma vez uma vitória da indústria tabaqueira.

© D.R.

O grupo de trabalho do tabaco, constituído no parlamento, aprovou na terça-feira a transposição para a legislação portuguesa da diretiva europeia que equipara os cigarros eletrónicos ao tabaco tradicional, sob pena de Portugal ficar em incumprimento, deixando de fora questões relacionadas com a promoção da saúde e a venda de tabaco.

“O pacote legislativo de controlo de tabagismo”, proposto pela secretária de Estado da Promoção da Saúde, Margarida Tavares, “seguia as orientações das políticas de saúde pública da Organização Mundial da Saúde e da União Europeia e era a alavanca que Portugal necessita para travar o consumo de tabaco que aumentou recentemente”, defendem em comunicado o presidente da SPP, António Morais, e a pneumologista Sofia Ravara, coordenadora da Comissão de tabagismo da SPP.

Para os especialistas, “o aniquilamento da proposta de lei é mais uma vez uma vitória da indústria do tabaco que vicia crianças e adolescentes para se tornarem seus clientes durante décadas com custos sanitários, sociais e económicos gravosos”.

“A inércia e resistência dos Governos e decisores políticos de Portugal para implementar as medidas da Convenção-Quadro de controlo de tabaco da OMS é inaceitável e chocante, deixando a indústria do tabaco e os interesses comerciais interferir livremente, apenas avançando as políticas públicas quando obrigados a tal pelas diretivas europeias”, refere o comunicado.

A SPP lamenta que a proposta de lei só tenha encontrado “barreiras e oposição desde o seu anúncio, dentro do Governo e na Assembleia da República” e promete que continuará a lutar para este objetivo, esperando que “o novo ciclo político seja uma oportunidade para avançar o controlo de tabagismo em Portugal”.

Também Hilson Cunha Filho, dirigente da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo e do Centro de Apoio, Tratamento e Recuperação, lamenta o desfecho da proposta de lei “depois de muitos meses de espera e discussões conturbadas e por vezes despropositadas no seio da sociedade e nos media”.

“O Ministério da Saúde e o Governo falharam na promessa feita e na proposta apresentada ao país de proporcionar um ambiente mais saudável e livre do fumo do tabaco e de aliviar os portugueses da pressão de uma oferta comercial intensa e agressiva de um produto que mata os seus consumidores”, afirma Hilson Cunha Filho no mesmo comunicado.

Para o responsável, este é “o legado” do ministro da Saúde, que falhou ao preparar uma proposta de alteração à lei do tabaco sem a colaboração das organizações não-governamentais, mas também “do Governo de António Costa que dedicou pouco ou nenhum empenho à causa”, transferindo a responsabilidade de transpor a diretiva para o parlamento.

“A Assembleia da República também não fica isenta”, considerou, concluindo que “todos os decisores políticos envolvidos demonstraram incompetência e apenas transpõem uma obrigação legislativa vinda da UE”.

Para as organizações, a sociedade civil tem “um papel crucial” na implementação de políticas públicas e da Convenção-Quadro de controlo de tabaco da OMS.

“Para tal, precisamos de construir uma relação colaborativa, consistente e sustentada com os Governos e os decisores políticos, os jornalistas e profissionais da comunicação social”, defendem.

Últimas do País

O presidente do CHEGA defendeu hoje que o Estado português não deve pagar qualquer indemnização a José Sócrates, mesmo que a tal seja condenado em última instância, assegurando que se for primeiro-ministro não o fará.
O tempo quente que afeta Portugal dará origem a uma onda de calor que se prolongará por oito a 10 dias e atingirá praticamente todo o país, estimou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O Tribunal de Leiria condenou hoje quatro arguidos a penas de prisão que variam entre os quatro e os nove anos, por furtos, sobretudo em cemitérios, num processo em que outros quatro arguidos receberam penas suspensas.
A prisão preventiva foi a medida de coação aplicada a um homem suspeito de violência doméstica contra a mulher, detido na quinta-feira no concelho de Olhão, no distrito de Faro, anunciou hoje a GNR.
Mais de uma centena de idosos de Penacova, no distrito de Coimbra, são acompanhados pelo projeto 'Estou CãoTigo', que visa combater a solidão, o isolamento social e processos de luto através de intervenções assistidas por cães.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) desmantelou uma unidade clandestina dedicada ao enchimento ilegal de recipientes transportáveis de GPL (gases de petróleo liquefeitos), tendo os factos sido comunicados ao DIAP da Comarca de Guimarães, foi hoje anunciado.
Oito meios aéreos e 147 operacionais estão mobilizados para o combate a um incêndio que está a queimar uma zona de mato em Varges, concelho de Murça, segundo a Proteção Civil.
O número de pessoas sem médico de família aumentou quase 66 mil nos primeiros cinco meses deste ano, mais do que os cerca de 53 mil novos inscritos nos cuidados de saúde primários no mesmo período.
No relatório de atividades anual referente a 2025, hoje entregue na Assembleia da República, o Conselho Superior da Magistratura aponta que "a escassez de juízes nas Relações determinou a adoção de medidas de gestão com recurso à acumulação de serviço", tendo registado no ano passado 38 situações de acumulação distribuídas pelas Relações de Coimbra, Évora, Guimarães e Porto.
Os bombeiros que prestam serviço no aeroporto da ilha das Flores, Açores, vão continuar a fazer horas extraordinárias após acordo com a associação humanitária, apesar de não ter existido entendimento com a ANA, foi hoje revelado.