Centenas de professores em protesto no “último grito” antes das eleições

Centenas de professores de todo o país estão hoje a manifestar-se em frente ao parlamento, em Lisboa, naquele que consideram "o último grito" pela escola pública antes das eleições.

© Facebook da FENPROF

 

À frente do protesto, que desceu do Largo do Rato para São Bento, professores seguram uma grande tarja que diz “Marcha pela Educação” e o ‘slogan’ é gritado com musicalidade “1, 2, 3 já cá estamos outra vez, 4, 5, 6 estamos fartos outra vez, 7,8, 9 já ninguém nos demove”.

Vários cartazes trazem inscritas palavras de ordem em defesa da escola (“A educação é cara? Experimentem a ignorância”) e são comuns os cravos vermelhos a contrastar com ‘t-shirts’ pretas.

“Chamámos [a esta manifestação] ‘o último grito antes das eleições’. Mas não vai ser de todo o último grito da escola pública. Vai continuar a luta pelos alunos, pela escola pública, pela educação”, afirmou à Lusa Esperança Calçada, que veio de Viana do Castelo.

A professora de português e inglês traz ao peito um crachá com Mafalda, a personagem de banda desenhada de Quino, a gritar “Basta”, e carrega um bombo típico do Minho para animar a manifestação.

Esperança Calçada diz que se sente a repetir a cada protesto, mas tem de o fazer porque não há melhorias na educação e a sua principal reivindicação, além da recuperação do tempo do serviço, são as condições de trabalho nas escolas, dando o exemplo de não haver professores em número e competências adequadas para alunos com necessidades educativas especiais.

Francisco Marques, do Porto, contou à Lusa que é a sétima vez que se manifesta em Lisboa e que nem tem os 6 anos, 6 meses e 23 dias de tempo de serviço para recuperar, porque voltou à profissão mais recentemente, mas que o faz para reivindicar que a “educação deste país seja planificada como deve ser, que está em cacos”, sem professores e outros profissionais necessários, com instalações precárias e os professores sem exigência e a autoridade que devem ter.

“Acima dos salários, que são baixos, este problema é mais grave. Eu sinto-me muito mais desconsiderado pela ausência de exigência. Quando os professores deixarem de ser exigentes, deixarem de vir às manifestações, deixarem de exigir uma escola melhor, temos um país irremediavelmente hipotecado” afirmou.

O professor de Português considerou que os encarregados de educação tiveram já, eles próprios, um ensino facilitado pelo que também a sua exigência é cada vez menor.

“Há uns anos as pessoas não compreendiam as cartas das finanças, do banco, e pediam a um vizinho que lhas lesse. Nós vamos ter esse problema agora, mas as pessoas vão estar com o 12.º ano, não sabem ler, escrever, interpretar”, disse, considerando ainda um “escândalo” o modo como é tratado o ensino profissional, que deveria ser vocacional, e é usado pelos governantes como “escape para a não aprendizagem”.

Aliás, disse, os Governos usam sucessivamente “disfarces” para os resultados da educação “para enganar as entidades externas e os portugueses”.

Este protesto foi organizado por um grupo de professores, à parte de sindicatos, e foi divulgado em grupos e redes sociais.

Ao megafone, vários professores apelaram à união da classe e que a luta não pertence a qualquer partido ou bandeira e que não parará até obter o reivindicado.

Últimas do País

As candidaturas a apoios para reconstrução de casas danificadas pelo mau tempo atingiram as 34 mil, disse hoje à agência Lusa o coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes.
Dois meses depois das intempéries que assolaram Portugal e que, em Almada, obrigaram à retirada de cerca de 500 pessoas das suas casas, o município assegura ainda alojamento temporário a 127 pessoas, segundo dados oficiais.
Um em cada cinco trabalha: Baixa taxa de emprego e elevada dependência de apoios marcam realidade das comunidades ciganas em Portugal.
A Confederação Nacional dos Jovens Agricultores e do Desenvolvimento Rural (CNJ) defendeu esta quarta-feira que o setor está a ser asfixiado com a escalada dos custos de produção e pediu ao Governo que reúna a plataforma PARCA.
O mês de março foi quente e seco no continente, com temperaturas acima do normal e precipitação inferior à média, indica o boletim climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) hoje divulgado.
A GNR deteve 19 pessoas e desmantelou uma rede de tráfico de droga que operava nos distritos do Porto, Braga, Coimbra e Guarda, indicou hoje esta força de segurança, que também apreendeu 34 mil doses de produto estupefaciente.
O Ministério Público e a Polícia Judiciária investigam intervenções no Instituto de Genética Médica. Em causa estarão decisões de um técnico superior já afastado de funções.
Mais de 1,6 milhões de euros pagos pela Igreja Católica a vítimas de abusos sexuais estão sujeitos a imposto. As vítimas podem perder até metade da compensação.
A Anacom, regulador do setor das empresas de telecomunicações, alertou hoje que têm sido realizadas chamadas telefónicas fraudulentas em nome da autoridade, com uma falsificação do número de atendimento ao público da própria entidade.
Homem de 64 anos foi detido em flagrante pela Polícia Judiciária da Guarda com cerca de 36 mil ficheiros envolvendo menores de 14 anos. Já tinha duas condenações pelo mesmo crime e cumpria pena suspensa.