CAP elogia “demonstração de força” contra discurso só político de Bruxelas

O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considerou que a manifestação dos agricultores a decorrer em Bruxelas é uma "demonstração de força" contra o "discurso político" do executivo de Ursula von der Leyen.

© Facebook da CAP

 

“É uma demonstração de força, é exatamente para que não exista dúvida alguma sobre a determinação dos agricultores e a necessidade de alterar as regras relativamente à Política Agrícola Comum [PAC]”, disse à Lusa Luís Mira que integra a comitiva que participa nos protestos, numa altura em que continuam em força junto às instituições europeias onde os ministros da Agricultura estão reunidos.

O som dos petardos é ininterrupto e os manifestantes fazem fogueiras em frente perímetro de segurança criado pela polícia para bloquear o avanço dos milhares de agricultores.

Luís Mira referiu que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, “anunciou um conjunto de intenções” que “precisam de ser colocadas no regulamento comunitário”.

“Enquanto não forem alterados [os regulamentos comunitários] nada disto tem efeito prático. Aquilo que os agricultores de toda a Europa estão aqui a dizer hoje é que é necessário colocar em prática aquilo que foi o discurso político”, acrescentou.

O secretário-geral da CAP exigiu a aprovação de todas as alterações propostas hoje, durante a reunião dos ministros da Agricultura dos Estados-membros, e a respetiva alteração na legislação nacional de cada um dos 27.

“As pessoas acham que isto já está resolvido, já estão alteradas. Não está, enquanto não se alterar o regulamento, enquanto não se alterar as regras”, completou.

A maioria das reuniões de hoje acabou por ser cancelada dada a seriedade do protesto dos agricultores e os confrontos em que se envolveram com as forças de segurança no exterior do edifício do Conselho da União Europeia.

Só os ministros da Agricultura prosseguem com a discussão das novas medidas propostas.

Últimas de Economia

A administradora do Banco de Portugal Francisca Guedes de Oliveira defendeu hoje que o sistema bancário deve estar preparado para amparar choques e acompanhar a retoma da economia.
As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 5,2% em fevereiro face ao mesmo mês de 2025, mais 0,1 pontos percentuais do que em janeiro, tendo todas as regiões registado crescimentos homólogos, informou hoje o INE.
A Fitch projeta que Portugal terá um défice orçamental de 0,8% do PIB este ano, nomeadamente devido aos apoios para responder aos danos do mau tempo, existindo ainda incerteza quanto ao impacto do conflito no Médio Oriente.
A taxa de inflação acelerou para 2,1% em fevereiro, informou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE), confirmando a estimativa rápida divulgada no final do mês passado.
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a segunda-feira, no prazo mais longo para um máximo desde janeiro de 2025.
A Comissão Europeia avisou hoje que vai “monitorizar de perto” o impacto orçamental do desconto que o Governo português vai dar no Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) do gasóleo, tomando nota da adoção de tal medida.
O preço eficiente do gasóleo em Portugal deve aumentar 13,2% esta semana, aproximando-se dos 2 euros por litro após uma valorização de 39,9% nas cotações internacionais, indicou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
Os municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML) entregaram até ao início deste mês cerca de 8.500 habitações, na maioria reabilitadas, um terço do previsto no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), em execução até final de agosto.
Os custos de construção de habitação nova aumentaram 3,7% em janeiro face ao mesmo mês de 2025, com a mão-de-obra a aumentar 7,2% e o preço dos materiais 0,8%, segundo estimativa hoje divulgada pelo INE.
O preço do gás natural subiu mais de 30% na abertura da sessão de hoje, atingindo os 69 euros por megawatt-hora (MWh), devido ao conflito no Médio Oriente.