CAP elogia “demonstração de força” contra discurso só político de Bruxelas

O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considerou que a manifestação dos agricultores a decorrer em Bruxelas é uma "demonstração de força" contra o "discurso político" do executivo de Ursula von der Leyen.

© Facebook da CAP

 

“É uma demonstração de força, é exatamente para que não exista dúvida alguma sobre a determinação dos agricultores e a necessidade de alterar as regras relativamente à Política Agrícola Comum [PAC]”, disse à Lusa Luís Mira que integra a comitiva que participa nos protestos, numa altura em que continuam em força junto às instituições europeias onde os ministros da Agricultura estão reunidos.

O som dos petardos é ininterrupto e os manifestantes fazem fogueiras em frente perímetro de segurança criado pela polícia para bloquear o avanço dos milhares de agricultores.

Luís Mira referiu que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, “anunciou um conjunto de intenções” que “precisam de ser colocadas no regulamento comunitário”.

“Enquanto não forem alterados [os regulamentos comunitários] nada disto tem efeito prático. Aquilo que os agricultores de toda a Europa estão aqui a dizer hoje é que é necessário colocar em prática aquilo que foi o discurso político”, acrescentou.

O secretário-geral da CAP exigiu a aprovação de todas as alterações propostas hoje, durante a reunião dos ministros da Agricultura dos Estados-membros, e a respetiva alteração na legislação nacional de cada um dos 27.

“As pessoas acham que isto já está resolvido, já estão alteradas. Não está, enquanto não se alterar o regulamento, enquanto não se alterar as regras”, completou.

A maioria das reuniões de hoje acabou por ser cancelada dada a seriedade do protesto dos agricultores e os confrontos em que se envolveram com as forças de segurança no exterior do edifício do Conselho da União Europeia.

Só os ministros da Agricultura prosseguem com a discussão das novas medidas propostas.

Últimas de Economia

O consumo de gás em Portugal aumentou 11,1% para 45,0 TWh (terawatts/hora) em 2025, face a 2024, mas ficou 20% abaixo da média dos cinco anos anteriores, informou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
O índice de preços da habitação aumentou 17,6% em 2025, mais 8,5 pontos percentuais do que em 2024 e a taxa mais elevada na série disponível, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje de forma acentuada a dois, cinco e 10 anos em relação a sexta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia, Irlanda e Itália, e os da Alemanha acima de 3% no prazo mais longo.
O preço do gás natural para entrega num mês no mercado holandês TTF, referência na Europa, subiu esta segunda-feira cerca de 3%, sendo negociado acima dos 61 euros por megawatt-hora (MWh), devido ao conflito no Médio Oriente.
O déficit comercial de bens entre a zona euro e o mundo aumentou para 1,9 mil milhões de euros, em janeiro, face aos 1,4 mil milhões de euros do mesmo mês de 2025, segundo o Eurostat.
Os preços dos combustíveis em Portugal vão continuar a subir na próxima semana com o gasóleo simples a aumentar cerca de 15 cêntimos por litro, e a superar os dois euros, e a gasolina 95 a encarecer nove cêntimos.
Mais de metade das habitações familiares anteriores a 1960 não sofreram obras de renovação para melhorar a eficiência energética e 30,1% das casas construídas antes de 1945 são ocupadas por famílias em risco de pobreza, indicou hoje o INE.
O relatório final dos peritos europeus confirma que o apagão ibérico foi provocado por falhas em cascata e recomenda reforçar tanto os quadros regulatórios como a coordenação entre operadores da rede e grandes produtores, de forma a prevenir eventos semelhantes.
A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação diminuiu para 3,079% em fevereiro, ficando abaixo dos 3,111% de janeiro de 2026 e dos 3,830% de fevereiro de 2025, indicam dados divulgados hoje pelo INE.
O preço do gás na Europa disparou hoje 35% após os ataques às infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em particular um ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.