Meloni critica como ataque à liberdade interrupção de reunião de direita conservadora

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou hoje como um ataque à liberdade de expressão a interrupção de uma conferência do grupo de Conservadores e Reformistas Europeus em Bruxelas por ordem de um autarca belga, alegando perturbação da ordem pública.

©Facebook de Giorgia Meloni

As autoridades locais belgas ordenaram na terça-feira a interrupção da polémica Conferência Nacional do Conservadorismo (NatCon) de representantes da direita e direita radical nacionalista, uma decisão criticada como um ataque à liberdade de expressão por Meloni e também por outros líderes europeus.

Devemos “garantir a segurança pública” e “a direita radical não é bem-vinda”, justificou o autarca de Saint-Josse, o socialista Emir Kir, na sua página no Facebook, enquanto ativistas antifascistas prometiam manifestar-se ao final do dia no local da conferência.

Após uma queixa dos organizadores, a justiça belga autorizou que a reunião fosse hoje reatada.

“Isto nunca aconteceu antes, uma conferência com primeiros-ministros, eurodeputados e deputados foi proibida e depois encerrada com uma intervenção da polícia”, disse Georgia Meloni numa carta lida por Nicola Procaccini, eurodeputado dos Irmãos de Itália, partido da chefe do Governo italiano, que pediu desculpa por não estar pessoalmente com os seus colegas conservadores porque o seu avião para uma reunião do Conselho Europeu em Bruxelas estava atrasado.

“Esse episódio pode ser atribuído a um autarca extremista, mas o risco de propagação deste vírus é real. Obrigado a todos vocês por estarem presentes e viva a liberdade”, acrescentou Meloni.

Os participantes do encontro incluem o Vox da Espanha, o partido Lei e Justiça (PiS) da Polónia e o Reconquista, do radical francês Eric Zemmour, todos membros dos Conservadores e Reformistas Europeus.

No evento de dois dias estiveram o político britânico eurocético Nigel Farage, que discursava na terça-feira quando a polícia interveio, e era também esperada a presença do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, na qualidade de convidado.

A decisão do autarca de Saint-Josse foi duramente criticada pelo chefe do executivo belga, Alexander De Croo, na rede X, alertando que a autonomia local “nunca poderá prevalecer sobre a Constituição belga, que garante a liberdade de expressão e de reunião pacífica desde 1830”.

No mesmo tom, o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, descreveu a decisão como “extremamente preocupante”, enquanto Orbán denunciou métodos dignos da era soviética.

“A última vez que me quiseram silenciar enviando a polícia foi em 1988, com os comunistas”, escreveu no X.

A NatCon já tinha enfrentado dois cancelamentos nos últimos dias noutros dois municípios de Bruxelas.

A menos de dois meses das eleições europeias, este encontro nacionalista e eurocético decorre num contexto de crescente influência desta família política em vários estados europeus.

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