18 Julho, 2024

Aí Abril Abril…se não fosse Novembro

© Folha Nacional

50 anos após o 25 de abril de 1974 evocamos a coragem e a determinação do povo português que, há meio século, se ergueu contra a censura, a falta de liberdade de expressão e o isolamento do país e pelo fim da guerra colonial.

Após esta data e durante um largo período de tempo, o país atravessou um período de grande tensão marcada por uma sucessão de atos revolucionários – sequestros, roubos, expropriações, assassinatos – o chamado processo revolucionário em curso, mais conhecido por PREC. (1)

Com uma elevada agitação social, instabilidade económica e ainda atropelos de toda a ordem, nomeadamente em termos de segurança individual, porque grassava a anarquia, a legalidade foi por diversas vezes quebrada com tremendos exageros da parte das forças revoluncionárias como é o caso do cidadão António Ramalho Fialho e a passageira do Mini (com matricula de 1966 – DE-73-42), de nome Conceição Santos, que no dia 12 de Março de 1975 foram literalmente executados a tiros de G3. (2)

Pese embora todas estas convulsões, os resultados da primeira eleição livre para a Assembleia Constituinte em 25 de Abril de 1975, com mais de 90% de participação da população (a maior de sempre), foram uma enorme deceção para todos os partidos de esquerda (marxistas-leninistas, maoistas, trotskistas) que no seu conjunto obtiveram pouco mais de 17% dos votos dos eleitores. A maioria dos eleitores, cerca de 77%, votou nos outros partidos, considerados mais moderados. 

O radicalismo desta esquerda derrotada, a partir desse momento, acentuou-se de tal forma que se começaram a ouvir pelo País ameaças de morte, instigando-se a 

combater os “inimigos da Revolução” mesmo todos aqueles que não sendo contra, também não eram a favor. 

Entre os muitos casos de tortura e assassino de todos os que os movimentos e partidos de extrema esquerda consideravam “inimigos da Revolução” ou “traidores” (como lhes chamava o MRPP que proclamava a “morte aos traidores”) – encontrou-se Marcelino da Mata, o militar mais medalhado das Forças Armadas Portuguesas. (3)

Recebeu a Torre e Espada, três Cruzes de Guerra de 1ª classe, uma de 2ª e outra de 3ª, esteve presente em 2414 operações no mato que lhe valeram meia centena de louvores por actos de bravura em combate.

Na sequência do caos que se tinha instalado no país para que não fosse aprovada na Assembleia da República a nova Constituição, várias tentativas de tomar o poder pela força tiveram lugar pelos movimentos revolucionários de esquerda.

A 25 de Novembro de 1975, nova tentativa de Golpe de Estado protagonizado mais uma vez pelos partidos de extrema esquerda, nomeadamente o Partido da União Democrática Popular, o Movimento Democrático Português e o Partido Revolucionário do Proletariado / Brigadas Revolucionárias, uma organização considerada terrorista, mas sobretudo coordenado pelo Partido Comunista que tinha um grupo organizado nas forças armadas e junto dos militares de baixa patente apelidada de SUV (soldados unidos vencerão), que suscitou a reação do então presidente da República Costa Gomes (decretou o Estado de Sítio na Região Militar de Lisboa).

Perante uma nova tentativa de Golpe de Estado da extrema esquerda, o Gen. Ramalho Eanes, e o Regimento de Comandos da Amadora intervieram. Verificaram-se algumas escaramuças graves, chegou-se mesmo ao confronto directo, sendo que, em frente ao Regimento de Cavalaria 7 em Lisboa, a Polícia Militar do lado dos sublevados matou dois militares Comandos, o Tenente Coimbra e o Furriel Pires. 

Apesar deste acto vergonhoso, a determinação e coragem do Regimento de Comandos da Amadora, sob o comando operacional do Coronel Jaime Neves, “impediram mais uma tentativa de golpe da fação radical das Forças Armadas e que resultou também no fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC) ”.

Zita Seabra, à data dirigente comunista e líder da UEC (União dos Estudantes Comunistas), no seu livro “Foi Assim”, relançado 16 anos depois da primeira edição,  relata na primeira pessoa a preparação da revolução, os planos para implementar a ditadura do proletariado e explica o que aconteceu nesta data , em 25 de Novembro. (4)

Só aqui a democracia e a liberdade foram definitivamente conquistadas e 50 anos após o 25 de abril não o podemos jamais omitir nem esconder de forma vergonhosa dos manuais escolares das nossas crianças. (5)

A este propósito ainda no passado dia 22 de Abril, em entrevista à SIC, o General Ramalho Eanes lembrou, e passo a citar “separar o 25 de Novembro do 25 de Abril é cometer um erro histórico”. (6)

Hoje e sempre devemos a estes homens, firmes, corajosos e patriotas, o nosso regime  democrático. 

Se não fosse Novembro….Aí Abril, Abril, …..nunca terias vingado.

Saudo a decisão da Assembleia da República, ontem mesmo, de organizar anualmente uma Sessão Solene Evocativa do dia 25 de Novembro.

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1- https://observador.pt/especiais/foi-ha-40-anos-o-dia-a-dia-de-lisboa-no-caldeirao-do-prec/ 

2- Na Avenida Alfredo Bensaúde pela então denominada “Unidade Vermelha” do RALIS (RAL1 ou Regimento de Artilharia Ligeira 1) que estava ligado à Esquerda militar revolucionária. – video da execução em 12 março de 1975 

3- https://observador.pt/especiais/morte-aos-traidores/  

4- Mário Soares descreveu este livro como “um testemunho verdadeiro e impressionante”.

5- A única menção ao mesmo é feita num único recurso do “estudo em casa” da disciplina de história com base na informação da fundação Mário Soares – info da fundação        video ensino sobre 25 Nov 

6- https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2024/04/22/ramalho-eanes-separar-o-25-de-novembro-do-25-de-abril-e-cometer-um-erro-historico/375490/ 

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