Sindicato acusa Montenegro de querer colocar opinião pública contra polícias

O Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP/PSP) acusou hoje o primeiro-ministro de querer virar a opinião pública contra os polícias ao declarar que o Governo não vai colocar "nem mais um cêntimo" na proposta para as forças de segurança.

© Facebook/PSP

Em comunicado, o sindicato lamentou que o Governo continue sem atribuir o suplemento de missão reclamado pela Polícia de Segurança Pública (PSP), Guarda Nacional Republicana (GNR) e Corpo da Guarda Prisional (CGP) “quase quatro meses desde a sua tomada de posse” e apontou o tom “provocatório” das declarações de Luís Montenegro no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Sintra.

“Uma vez que falamos da compensação do risco agregado à profissão, consideramos como provocatório que o senhor primeiro-ministro aponte os valores referentes ao investimento em causa, uma vez que não o fez em mais nenhum caso, numa tentativa de colocar a opinião pública contra os polícias, utilizando os polícias como arma de arremesso político”, lê-se na nota hoje divulgada.

O primeiro-ministro salientou que o Governo já fez um “esforço medonho” na proposta apresentada à plataforma que reúne sindicatos e associações de PSP e GNR e que prevê um aumento de 300 euros no suplemento de risco da PSP e GNR, valor que seria pago de forma faseada até 2026, passando o suplemento fixo dos atuais 100 para 400 euros, além de se manter a vertente variável de 20% do ordenado base.

“Há uma coisa que não pode acontecer: O Governo perder a autoridade de se preocupar com toda a sociedade, com todos os outros. Enquanto eu for primeiro-ministro, estarei disponível para resolver tudo aquilo que tem de ser resolvido em Portugal, mas não para trazer de volta a instabilidade financeira, o sofrimento para todos só para cumprir o interesse particular de alguns”, disse o governante, acrescentando que “convém lembrar que 300 euros mensais vezes 14 remunerações são 4.200 euros anuais”.

O SPP, que confirmou a presença numa reunião com o Ministério da Administração Interna (MAI) marcada para o próximo dia 09, criticou ainda o Governo pelo que considerou ser uma diferença de tratamento dos polícias em relação aos professores, por causa do acordo alcançado para a recuperação do tempo de carreira congelado.

“Constatamos que o atual Governo já promoveu o descongelamento dos professores (que neste caso são em muito maior número que os polícias), pois bem, os polícias da PSP também viram seus ordenados congelados. Por que motivo se discriminam negativamente os polícias em mais esta situação?”, questionou o organismo sindical.

No comunicado, que não refere o apelo público lançado pelo presidente do Chega, André Ventura, para a presença dos polícias na quinta-feira no parlamento, quando for discutida e votada uma proposta do partido de direita radical similar ao que foi proposto pelas forças de segurança nas negociações com o MAI, o SPP afirma que “não tem qualquer ideologia política”, mas apoia iniciativas que procurem defender os polícias.

“[O SPP] Tem como principal e único objetivo defender os direitos dos polícias. Apoiamos e apoiaremos todas as iniciativas legais que visem a defesa dos polícias, como um todo, em que todos são dignificados. Não permitiremos que qualquer retórica, mais ou menos hábil, tente ofuscar a realidade, pois aquilo porque lutamos é justo e merecido”, concluiu.

Últimas do País

Trinta moradores de um prédio em Setúbal ficaram hoje desalojados na sequência de um incêndio na garagem do edifício, cuja origem está a ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ), avançou fonte da Proteção Civil.
A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) entregou ao Governo um documento com propostas de alteração para “uma tabela de remuneração digna e justa”, entre outras matérias, para que dê conhecimento à tutela das matérias pendentes, segundo um comunicado.
Vários especialistas em hidráulica denunciaram esta sexta-feira, em Coimbra, a falta de manutenção da obra hidráulica do Baixo Mondego e o antigo presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) Carlos Matias Ramos considerou a obra abandonada.
Os oito estrangeiros detidos na quarta-feira pela Polícia Judiciária (PJ) numa embarcação de pesca, ao largo dos Açores, com 1.800 quilos de cocaína a bordo, vão aguardar o transportador do processo em prisão preventiva, foi hoje revelado.
A pena mais gravosa foi aplicada à mulher, uma empresária de nacionalidade angolana, a qual foi condenada a cinco anos e oito meses de prisão, enquanto o homem, de nacionalidade brasileira, foi punido com uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão, segundo um acórdão consultado esta sexta-feira pela agência Lusa.
A Comissão Utentes Fertagus enviou na quinta-feira, 12 de março, à Comissão Europeia uma queixa contra o Estado português por permitir que os passageiros sejam diariamente transportados em condições “fora do padrão europeu” e “com riscos de segurança”.
Trinta por cento da frota da Rodoviária do Tejo, concessionária dos transportes públicos de passageiros na cidade e Região de Leiria, danificada devido ao mau tempo, já foi recuperada, disse hoje o administrador Paulo Carvalho.
Cerca de 800 mil euros pagos na compra de uma vivenda na Malveira acabaram na conta de José Sócrates, levando o Ministério Público a abrir um novo inquérito relacionado com o universo da Operação Marquês.
A Deco alertou esta sexta-feira, 13 de março, para os riscos da digitalização do atendimento ao cliente, tendo avaliado negativamente a maioria dos sistemas digitais de apoio de 24 empresas de setores essenciais.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou nos últimos sete anos 1.900 acidentes na via pública que envolveram trotinetas elétricas, que causaram 10 mortos.