Ministro das Finanças vai ser ouvido no Parlamento sobre combustíveis

Os deputados da comissão de Orçamento e Finanças aprovaram hoje por unanimidade um requerimento do PS para ouvir o ministro das Finanças sobre a estratégia fiscal do Governo no âmbito dos combustíveis.

© site do Governo da República Portuguesa

A justificar este pedido de audição urgente a Miranda Sarmento está, segundo referem os deputados do PS, a subida da carga fiscal sobre os combustíveis observada desde agosto, nomeadamente na sequência da decisão do Governo de descongelar a taxa de carbono.

“Pese embora não tenha havido qualquer comunicação prévia do Governo sobre qual é a sua estratégia nesta matéria, o Governo já avançou com o descongelamento da taxa de carbono”, refere o requerimento dos socialistas, notando que, desde a última semana de agosto, “a carga fiscal sobre os combustíveis aumentou cerca de sete cêntimos por litro na gasolina e no gasóleo”, o que significa que “no espaço de menos de um mês os portugueses passaram a pagar mais 4% a 5% na fatura do combustível por decisão administrativa” do executivo.

O PS recorda que, em resposta a uma pergunta sua, o Governo afirmou a sua intenção de eliminar “progressivamente” o congelamento da taxa de carbono, mas “não fez qualquer referência ao mecanismo de compensação de receita de IVA por descida da taxa unitária de ISP”.

Desta forma, sustenta o PS, “fica em aberto se o Governo tem ou não a intenção de proceder nos próximos tempos a subidas das taxas unitárias de ISP”, eliminando o efeito da redução da taxa unitária deste imposto “que se encontra em vigor”.

Perante esta “incógnita”, o PS decidiu chamar ao parlamento, com caráter de urgência, o ministro da Estado e das Finanças, para que Miranda Sarmento possa ser “claro e objetivo” sobre as intervenções que o Governo pretende realizar futuramente, “designadamente se tem a intenção de continuar a agravar o preço dos combustíveis pela via fiscal e até quando”.

A COFAP discutiu e votou também hoje requerimentos de vários partidos da oposição para audições conjuntas com a Comissão de Economia a atuais e antigos governantes e a ex-gestores da TAP sobre a privatização da companhia aérea, na sequência do relatório da IGF.

Dos vários requerimentos em votação, apenas o do PS foi viabilizado, tendo sido chumbados os do CHEGA, PCP, Bloco de Esquerda e PAN. O da Iniciativa Liberal foi retirado de votação, uma vez que o deputado Bernardo Blanco considerou que o objetivo (ouvir políticos e gestores que estiveram ligados ao processo de privatização da TAP e também à compra da atual TAP Manutenção e Engenharia Brasil) já foi alcançado com a aprovação de requerimento para a audição às mesmas pessoas na Comissão de Economia.

O facto de os requerimentos visarem audições conjuntas que já tinham sido viabilizadas na Comissão de Economia foi um dos motivos invocados pelo PSD e do CDS-PP para votarem contra, com os deputados Hugo Carneiro (social-democrata) e Paulo Núncio (CDS) a notarem que este conjunto de audições no âmbito da Cofap tinha apenas por objetivo político desvalorizar a empresa.

O requerimento do PS para ouvir o atual ministro das Infraestruturas e Habitação (secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações à data da privatização da TAP), Miguel Pinto Luz, a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque (que vai assumir funções no novo executivo comunitário) e o antigo secretário de Estado das Infraestruturas, Sérgio Monteiro (que desempenhou este cargo no primeiro governo de Passos Coelho) foi aprovado com os votos contra do PSD e do CDS-PP e o voto favorável dos restantes partidos.

Últimas de Economia

O valor de produção do mercado do calçado português recuou 5% em 2025 para 2.100 milhões de euros, segundo a estimativa da Informa D&B hoje divulgada.
Os títulos de dívida emitidos por entidades residentes somavam 321.500 milhões de euros no final de janeiro, mais 6.300 milhões de euros do que no mês anterior, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).
Os prejuízos causados pelo mau tempo no Peso da Régua ascendem a 4,2 milhões de euros em quedas de taludes, de muros e danos na rede viária deste concelho do sul do distrito de Vila Real.
O número de beneficiários de prestações de desemprego caiu 2,4% em janeiro, face ao período homólogo, mas subiu 8,6% face a dezembro, para 204.990, o valor mais elevado desde fevereiro de 2025, segundo dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP).
O recente ‘comboio’ de tempestades que percorreu Portugal continental, com ventos ciclónicos da Kristin na região centro, provocou prejuízos entre os cinco mil milhões e os seis mil milhões de euros, segundo o presidente da estrutura de missão.
Cento e quinze mil apólices de seguro já foram acionadas na sequência do mau tempo, disse hoje o coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes.
Carga fiscal por habitante sobe para 6.728 euros em 2025. Receita supera o previsto e Estado arrecada mais 99 milhões do que o orçamentado.
O ministro da Economia disse hoje no Sobral de Monte Agraço que já foram recebidos pedidos de apoio de quatro mil empresas, que declararam quase mil milhões de euros de prejuízos provocados pelo mau tempo.
O CHEGA apresentou na Assembleia da República um projeto de lei que visa revogar o Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis (AIMI), conhecido como “imposto Mortágua”, criado em 2016 no âmbito do Orçamento do Estado para 2017.
Os contribuintes vão poder validar as faturas relativas ao IRS de 2025 no Portal até 02 de março, em vez da data regular de 28 de fevereiro, segundo uma informação da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).