Nova Provedora de Justiça da UE quer mais cidadãos capazes de apresentarem queixas

A nova provedora de Justiça da União Europeia (UE), Teresa Anjinho, quer “capacitar” mais cidadãos, nomeadamente os vulneráveis ou os menos representados, para conseguirem apresentar queixas ao organismo, em áreas como a gestão dos fundos comunitários.

© D.R.

“Eu acho que a Provedoria de Justiça tem aqui um papel muito importante, enquanto principal garante de boa administração no quadro europeu, para tentar, de alguma forma, ser uma ponte entre cidadãos e instituições” e para “garantir este fluxo de comunicação, esta consciencialização dos direitos, nomeadamente através da possibilidade de apresentação de queixas, que é um ato de democracia participativa”, afirmou Teresa Anjinho em entrevista à agência Lusa em Bruxelas.

Antes de tomar posse como nova provedora de Justiça da União Europeia, numa cerimónia de juramento na quinta-feira, a responsável portuguesa disse querer “capacitar os cidadãos ou residentes no espaço europeu a apresentarem as suas queixas à Provedoria Europeia, percebendo que é, de facto, um ato de participação que permite o robustecimento daquilo que é o espaço democrático europeu”, para assim “chegar aos mais vulneráveis e, em particular, àqueles que ainda não se encontram representados”.

De acordo com Teresa Anjinho, “tudo quanto tenha a ver com a atuação das instituições europeias pode ser objeto de queixa”, nomeadamente casos relacionados com o direito do consumo, área ambiental ou financeira, como no que toca à gestão dos fundos comunitários.

Tais queixas são apresentadas com “total informalidade e com total gratuitidade e na própria língua”, desde que “seguindo alguns requisitos processuais”, explicou.

Para o concretizar, Teresa Anjinho indicou à Lusa que começará o seu mandato por avaliar o perfil dos queixosos para, assim, “melhorar a eficiência em matéria de comunicação e da acessibilidade da informação”.

O gabinete do Provedor de Justiça, que é imparcial, pode dar início a um inquérito na sequência de uma queixa (que deve ser apresentada no prazo de dois anos a contar da data do problema) ou por própria iniciativa.

Depois, o caso pode ser resolvido através de uma informação à instituição visada ou de uma solução amigável, mas se tal não for possível o provedor de Justiça pode emitir recomendações e, se estas não forem adotadas, poderá ser feito um relatório especial dirigido ao Parlamento Europeu para as medidas políticas necessárias serem adotadas.

Antiga secretária de Estado da Justiça e antiga Provedora de Justiça Adjunta de Portugal, Teresa Anjinho, de 50 anos, é especialista em direitos humanos e investigadora académica.

Fazia até agora parte do Comité de Fiscalização do Organismo Europeu de Luta Antifraude.

Após a sua candidatura ter sido aprovada pelo Parlamento Europeu no final do ano passado, Teresa Anjinho terá agora um mandato renovável de cinco anos à frente da Provedoria de Justiça Europeia, organismo comunitário que investiga queixas relativas a casos de má administração por parte das instituições ou outros organismos da UE.

Criada em 1995, a Provedoria de Justiça Europeia investiga casos de má administração nas instituições, órgãos, gabinetes e agências da UE, atuando por sua própria iniciativa ou em resposta a queixas dos cidadãos.

Em causa estão casos de comportamento abusivo, discriminação, abuso de poder, omissão de informação ou recusa de prestar informações, atrasos desnecessários ou de desrespeito pelos procedimentos, por exemplo.

As queixas podem ser apresentadas por nacionais ou residentes dos países da UE ou por associações ou empresas estabelecidas no espaço comunitário.

Últimas do Mundo

As autoridades chinesas anunciaram hoje mais 30 vítimas mortais do deslizamento de terras que, em 17 de julho, soterrou mais de dez edifícios no município de Chongqing (centro), elevando para pelo menos 41 o número de mortos.
Várias pessoas ficaram feridas depois de um forte sismo ter atingido o sudoeste do Japão, provocando derrocadas de edifícios e incêndios, anunciou esta terça-feira a primeira-ministra, Sanae Takaichi.
Ataque junto à Porte de Clichy fez três feridas, duas delas em estado grave. Suspeito, de 31 anos, foi detido no local e está a ser investigado por tentativa de homicídio qualificado.
A polícia deteve um suspeito e procura outro na sequência de um tiroteio ocorrido no domingo à noite num festival gastronómico em Seattle, Estados Unidos, que causou a morte de três pessoas e feriu quatro.
O fogo de grandes proporções perto da cidade francesa de Bordéus, que obrigou à retirada de 220 mil pessoas, manteve-se estável durante a noite, disseram hoje as autoridades locais que mantêm as operações no local.
Bombeiros na região central de Espanha de Castela‑La Mancha lutavam ainda na quarta‑feira para controlar um incêndio florestal que já devastou mais de 32.000 hectares, um dos maiores de sempre no país.
Quatro ex-funcionários de uma das empresas de abastecimento de água britânicas foram acusados de manipular e falsificar controlos sobre a qualidade da água, anunciou hoje a agência do ambiente.
Um tribunal indonésio condenou hoje 18 mulheres e um homem a penas de prisão até seis anos pelo envolvimento numa rede de tráfico de bebés para Singapura.
O duplo sismo que abalou a Venezuela em 24 de junho causou a morte a 121 portugueses e lusodescendentes, de acordo com o mais recente balanço avançado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
O Ministério Público de Munique, na Alemanha, acusou hoje um jovem de 15 anos de planear um ataque com explosivos, afirmando que o seu principal alvo era uma sinagoga.