Primeiro-ministro francês alerta sobre efeitos das tarifas norte-americanas

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, disse hoje que o aumento dos direitos aduaneiros anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, representam uma dificuldade para a Europa e uma catástrofe para os Estados Unidos.

© Facebook François Bayrou

“Esta decisão é uma catástrofe para o mundo económico. É uma dificuldade imensa para a Europa. Penso que é também uma catástrofe para os Estados Unidos e para os cidadãos norte-americanos”, declarou o chefe do governo de França à margem de uma conferência no Senado, em Paris.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai reunir-se hoje à tarde com representantes das indústrias afetadas pelas medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos.

Paralelamente, a Federação dos Exportadores Franceses de Vinho e Bebidas Espirituosas disse hoje que as exportações europeias de vinho para os Estados Unidos podem sofrer uma quebra de 1,6 mil milhões de euros por ano, com um enorme impacto no emprego e na economia do setor.

A França, em particular, vai sofrer metade desse impacto, com as vendas para os Estados Unidos a caírem 800 milhões de euros por ano, disse a Federação dos Exportadores Franceses de Vinho e Bebidas Espirituosas (FEVS) através de um comunicado.

As tarifas anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, também vão ter um impacto extremamente negativo sobre os importadores, distribuidores e comerciantes dos Estados Unidos, acrescentou a FEVS.

“Este confronto tarifário só cria perdedores, tanto na Europa como nos Estados Unidos”, insistiu.

Os Estados Unidos são o principal mercado de exportação dos vinhos e bebidas espirituosas francesas, com um valor total de 3,8 mil milhões de euros no ano passado, representando 25% de todos os embarques estrangeiros no setor.

Donald Trump lançou uma ofensiva comercial sob a forma de tarifas muito pesadas, nomeadamente contra países da Ásia e da União Europeia.

Os mercados financeiros registaram quedas uma vez que tanto os aliados tradicionais como os concorrentes dos Estados Unidos avisaram que estavam a preparar um contra-ataque.

A ofensiva protecionista de Washington, como não se via desde os anos 1930, inclui uma tarifa mínima adicional de 10% sobre todas as importações e sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.

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