Quase 80% dos doentes oncológicos a aguardar primeira consulta ultrapassam tempos de espera

Quase 80% dos doentes oncológicos ultrapassaram os prazos legais para a realização da primeira consulta no segundo semestre de 2024, revelam hoje dados do regulador da Saúde, segundo os quais havia 8.616 utentes em espera.

© D.R

Apesar deste número, em 31 de dezembro do ano passado, havia menos de 20% no número de utentes com suspeita ou confirmação de doença oncológica – que totalizavam 8.616 utentes — na lista de espera face ao segundo semestre de 2023, correspondendo a uma “diminuição transversal a todas as prioridades”.

Os tempos máximos para a realização da primeira consulta são sete dias para os casos muito prioritários, 15 dias para os prioritários e 30 dias para os normais.

De acordo com o relatório “Monitorização Sobre Tempos de Espera no SNS no 2.º Semestre de 2024”, da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), 78,6% dos doentes encontravam-se “em espera há mais tempo do que o máximo previsto na lei”, menos 2,9 pontos percentuais (p.p.) do que em dezembro de 2023, tendo-se registado um aumento da percentagem de incumprimento para os utentes “muito prioritários”.

Neste período foram realizadas 20.414 primeiras consultas com suspeita ou confirmação de doença oncológica em hospitais públicos, sendo que em 61,8% foram ultrapassados os Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG).

Em comparação com o período homólogo de 2023 registou-se um aumento de 0,1 p.p. de incumprimento, mas no caso dos doentes “muito prioritários” essa taxa reduziu.

A ERS ressalva que “88,9% do total de consultas de oncologia realizadas no período foram registadas no RSE-SIGA [Registo de Saúde Eletrónico no Sistema Integrado de Gestão do Acesso]”, que ainda não está disponível em todos unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Ao longo do segundo semestre de 2024 foram realizadas 36.074 cirurgias oncológicas, 35.841 (99,4%) das quais no SNS, 104 (0,3%) em hospitais privados protocolados e 129 (0,4%) em hospitais de destino através de vale de cirurgia ou nota de transferência.

Os dados precisam que foram emitidos 3.040 vales de cirurgia, sendo que 81,4% dos doentes foram operados em hospitais privados e 18,6% no setor social.

Face a igual período de 2023, verificou-se um aumento da atividade global de 21%, justificada pelo aumento da atividade realizada pelos hospitais públicos (21,2%) e protocolados (38,7%) – transversal a todos os níveis de prioridade –, e que contrasta com a redução de 28,7% da atividade dos hospitais de destino.

Relativamente às primeiras consultas de especialidade hospitalar (excetuando as de cardiologia e oncologia), os números fixaram-se em 653.053, um aumento de 10,9%.

Os TMRG foram ultrapassados em 53,1% das consultas realizadas (diminuição de 3 p.p.), enquanto em 30 de dezembro de 2024 havia 902.814 utentes a aguardar pela primeira consulta (aumento de 15,9%), dos quais 55,3% com espera superior aos prazos legais.

A ERS indica ainda que foram realizadas 23.284 primeiras consultas de cardiologia no SNS (aumento de 18,5%), sendo que, no final do ano passado, 26.039 utentes aguardavam atendimento (aumento de 11,0% na lista de espera), dos quais 85,9% com espera superior aos TMRG.

No âmbito de doença cardíaca, foram realizadas 4.740 cirurgias no SNS, um aumento de 9,5% face ao mesmo período de 2023.

No final de dezembro, havia 190.607 utentes em Lista de Inscritos para Cirurgia, um aumento de 2,6%, dos quais 14,8% com espera superior aos TMRG.

Os hospitais privados assinalaram um aumento de 1,4% de primeiras consultas de especialidade hospitalar, com 34.019.

Nestes hospitais, os TMRG foram ultrapassados em 27,8% das consultas realizadas, sendo que em 31 de dezembro de 2024 havia 23.862 doentes em espera para a primeira consulta, dos quais 45,8% com espera superior aos TMRG.

No último dia do ano passado, 164 utentes estavam a aguardar consulta de cardiologia nos privados, todos com espera superior ao limite legal.

O relatório da ERS acrescenta ainda que foram realizadas 285.748 cirurgias programadas nos hospitais públicos, 10.715 nos hospitais privados e 12.735 em hospitais de destino.

Últimas do País

O suspeito detido pelo roubo e rapto de um outro homem desaparecido há mais de uma semana, no Algarve, ficou em prisão preventiva, após ter sido hoje presente em tribunal, disse à Lusa fonte da Polícia Judiciária (PJ).
O Livro de Reclamações recebeu um total de 485.203 em 2025 reclamações, uma subida de 9,1% face a 2024, sendo que 261.037 foram apresentadas no livro físico divulgou hoje a Direção-Geral do Consumidor.
O homem, de 57 anos, detido pela alegada prática de crimes de pornografia de menores e de abuso sexual de crianças agravado no concelho de Fafe, no distrito de Braga, ficou em prisão preventiva, indicou hoje fonte judicial.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo reforçou a prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento da obesidade com uma equipa multidisciplinar, visando melhorar a articulação de cuidados e a resposta integrada, revelou hoje a ULS.
O setor agrícola declarou prejuízos de cerca de 500 milhões de euros devido ao mau tempo, que ainda carecem de verificação, segundo o último levantamento a que a CAP teve acesso, e os apoios ainda não chegaram ao terreno.
As unidades de imagiologia associadas da ANAUDI realizaram em 2025 menos 894 mil exames de diagnóstico no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS) do que no ano anterior, indicou hoje a associação.
A Marcha pela Vida, realizada este sábado à tarde no centro de Lisboa, terminou com um incidente, sem feridos, em que uma pessoa atirou um objeto incendiário para o meio dos participantes.
O Serviço de Proteção Civil da Madeira atualizou no domingo para 116 o número de ocorrências registadas no arquipélago desde quinta-feira devido ao mau tempo, mais dez do que tinha sinalizado até ao fim do dia de sábado.
A greve nacional de hoje dos enfermeiros teve uma adesão de 71,5%, estando asseguradas pelos profissionais apenas situações urgentes, segundo os dados avançados às 12:30 pelo Sindicato de Enfermeiros Portugueses (SEP).
A PSP preparou um plano de contingência para os aeroportos de Lisboa e Faro para lidar com o aumento de passageiros durante a Páscoa, reforçando estas estruturas com mais polícias e postos de atendimento, revelou hoje aquela polícia.