CHEGA exige a Montenegro mais explicações se quer evitar contaminar campanha

O presidente do CHEGA exigiu hoje a Luís Montenegro mais explicações sobre a sua vida patrimonial para evitar contaminar a campanha eleitoral, dizendo-se cada vez mais convicto de que o primeiro-ministro tem “uma severa falta de seriedade”.

© Folha Nacional

André Ventura marcou para hoje à tarde declarações aos jornalistas no aeroporto de Lisboa, antes de partir para os Açores no âmbito da pré-campanha para as legislativas de 18 de maio, para comentar as últimas notícias relacionadas com o primeiro-ministro.

Hoje, o Correio da Manhã escreve que Luís Montenegro escondeu várias contas bancárias ao Tribunal Constitucional (TC), o que foi negado pelo primeiro-ministro, que disse que há cerca de dois meses é confrontado com notícias que considera corresponderem a desinformação e manipulação de factos.

Montenegro admitiu ter sido confrontado com um pedido de esclarecimento do Ministério Público que surgiu, segundo explicou, na sequência de uma outra notícia do Correio da Manhã que dizia que teria usado várias conta para pagar a aquisição de um apartamento.

“Em todo o caso, o Ministério Público leu a notícia e perguntou-me e eu respondi e não há nenhuma anormalidade nisto”, frisou, em Valpaços.

Para André Ventura, esta notícia, tal como a do Expresso de sexta-feira sobre o financiamento do PSD por parte de um antigo cliente de Montenegro, “levanta suspeitas sérias de condicionamento e de corrupção que cabe ao Ministério Público” esclarecer no seu tempo próprio.

“Mas há uma coisa que cabe ao CHEGA e ao André Ventura, é exigir ao primeiro-imnistro respostas. É respostas em tempo útil e respostas que evitem contaminar toda a campanha eleitoral”, afirmou.

Portanto, acrescentou, o apelo que faz é diretamente a Luís Montenegro e não à justiça.

“Se quer evitar uma campanha eleitoral assente única e simplesmente nas suspeitas sobre si próprio, sobre a falta de transparência no Governo e no PSD, é esclarecer e não deixar que isto evolua e que chegue à campanha eleitoral completamente contaminada em termos de debate político”, afirmou.

Caso contrário, afirmou, “o país vai assistir a uma campanha eleitoral provavelmente como nunca assistiu, desnecessária, pouco esclarecedora para todos, que é estamos a escolher um primeiro-ministro ro que está em funções e a cada dia que passa tem novas suspeitas e não os consegue esclarecer”.

“Eu acho que isto é grave e acho que isto merece um esclarecimento urgente da parte do primeiro-ministro e do líder do PSD”, disse,

André Ventura considerou que a notícia do Correio da Manhã “confirma que terá existido uma tentativa do primeiro-ministro de ocultar património distribuindo-o por diferentes contas bancárias”, ficando abaixo do limite legal do controlo exigível aos titulares de cargos públicos a partir de 43.500 euros.

“Eu estou cada vez mais convencido de que nós temos um primeiro-ministro com uma severa falta de seriedade”, disse, considerando que “à beira de umas eleições isto ganha uma gravidade extrema”.

O líder do CHEGA admitiu que as pessoas pedem aos políticos que façam uma campanha baseada nas propostas sobre temas concretos, mas avisou que poderá ser difícil.

“Nós não conseguimos sair disto se o primeiro-ministro a cada dia que passa tem novas suspeitas sobre ele e não as consegue esclarecer”, avisou.

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A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
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