Privados alertam que regras impedem abrir novas salas de pré-escolar gratuito

A abertura de mais cinco mil vagas no pré-escolar está em risco, alertou hoje a associação representativa das escolas privadas, defendendo que as baixas verbas atribuídas e a curta duração dos acordos inviabilizam a abertura de novas salas.

© D.R

Num país onde faltam cerca de 10 mil vagas no pré-escolar, o Governo desenhou um projeto para oferecer mais cinco mil lugares, dando 208 euros por criança e 15 mil euros por cada nova sala que os estabelecimentos privados abram.

O plano prevê a abertura de 200 novas salas e de outras salas requalificadas para acolher mais crianças, mas a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) teme que não apareçam novas salas.

“A abertura de novas salas vai ser muito difícil porque não é viável abrir salas e pagar ordenados com estes valores. O que haverá é alunos a completar as salas que ainda não estejam cheias”, avisa o diretor executivo da AEEP, Rodrigo Queiroz e Melo.

Rodrigo e Melo reconhece a importância da iniciativa que quer contar com o privado para aumentar a oferta da rede pública de ensino, mas avisa que “os termos dos protocolos são problemáticos”.

Os valores definidos na portaria publicada na semana passada – 208,05 euros mensais por criança – são “manifestamente insuficientes” e criariam “um sistema em cima de trabalho precário”.

Segundo a AEEP, o valor não chega para pagar salários de uma educadora de infância e uma auxiliar: “É muito fácil ter uma educadora a ganhar 1.500 ou 1.700 euros” e a este valor, que é pago 14 vezes por ano, é preciso somar outros custos como seguro de trabalho ou segurança social.

Além disso, os acordos a estabelecer entre a tutela e privados serão por um período de três anos. “E a seguir? Que faço com a sala, a educadora e a auxiliar? Isto não pode ser um concurso toca e foge, tem de haver um mínimo de estabilidade”, diz, defendendo um mínimo de três contratos trianuais.

Para Rodrigo Queiroz e Melo, trata-se de uma questão de “código de trabalho e respeito pelos trabalhadores”. As instituições “não podem contratar uma pessoa por apenas três anos (…) nem o Estado pode estar a fomentar a precariedade laboral”.

A manter-se as atuais regras, não deverá haver muitos privados a abrir novas salas, alerta a AEEP, que teme que no próximo ano letivo as novas vagas de estabelecimentos privados e cooperativos sejam residuais e apenas nas “salas que ainda não estão cheias e onde podem entrar mais alunos” até ao limite máximo de 25 crianças.

A AEEP quer que o atual modelo seja “melhorado substancialmente, mas não destruído”.

Outra das mudanças que pedem ao governo que venha a ser eleito em maio é o fim do modelo supletivo. A legislação prevê que as famílias só se podem candidatar ao privado se não conseguirem lugar no público.

“Se há X alunos, deve haver X vagas participadas”, defende Rodrigo e Melo, acrescentando que numa mesma sala não deve haver meninos cujos pais pagam uma mensalidade e outros que a frequentam gratuitamente: “Ou Portugal decide que quer o pré-escolar gratuito ou não quer”, disse.

“Nós achamos que a medida faz muito sentido, mas tem que ser completamente reformulada. Não há nada mais perigoso do que uma boa ideia mal implantada, porque pode matá-la”, alerta Rodrigo Queiroz e Melo, pedindo uma revisão da portaria.

No mês passado, o Governo destinou 42,5 milhões de euros para financiar mais vagas, dando prioridade às famílias mais carenciadas.

A ideia é reforçar a oferta nos concelhos mais carenciados, que se situam maioritariamente na zona de Lisboa, como Sintra, Seixal, Amadora, Odivelas, Lisboa e Barreiro.

As inscrições para o pré-escolar já estão a decorrer e os resultados serão afixados a 01 de julho. Só as crianças que não fiquem na rede pública se poderão candidatar a uma vaga gratuita disponibilizada pelo setor particular e cooperativo.

Últimas do País

O Tribunal de Guimarães condenou hoje a penas efetivas entre os cinco anos e nove meses e os nove anos e oito meses, quatro arguidos que simularam ser inspetores da Polícia Judiciária (PJ) para assaltarem empresários da região Norte.
Um total de 47 jovens e crianças, deram entrada, na quinta-feira, nos centros de saúde de São Roque e da Madalena do Pico, nos Açores, por alegada intoxicação alimentar, mas nenhuma necessitou de internamento, adiantou hoje fonte hospitalar.
A Associação de Farmácias de Portugal (AFP) considerou hoje que os dados divulgados sobre a equidade no acesso ao medicamento expõem "fragilidades preocupantes" no acesso efetivo à saúde em Portugal e exigem uma resposta estrutural e urgente.
A Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País estima entre 35 mil e 40 mil as empresas com danos devido ao mau tempo na zona mais afetada, afirmou à agência Lusa o seu coordenador, Paulo Fernandes.
A Federação dos Bombeiros do Distrito de Setúbal alertou hoje que o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do hospital do Barreiro representa um sério risco para a segurança das grávidas e recém-nascidos da península de Setúbal.
A GNR detetou um depósito ilegal de resíduos e veículos em fim de vida, com "suspeitas de contaminação de solos", na Praia da Vitória, na ilha Terceira, e identificou um homem de 70 anos, foi hoje divulgado.
Os setores da Agricultura e Pescas já declararam mais de 449 milhões de euros de prejuízos relacionados com estragos provocados pelo mau tempo, disse hoje fonte deste ministério.
Na Bajouca, longe de Leiria, pouco ou nada se sentiu a presença do Estado após a tempestade. Ali, foram a comunidade e uma equipa de voluntários a arregaçar as mangas, num trabalho de quatro semanas "por amor às pessoas".
As doenças do aparelho circulatório e os tumores malignos causaram quase metade das mortes em Portugal em 2024, ano em que morreram 119.046 pessoas, um aumento de 0,1% face a 2023, revelou hoje o INE.
O número de pedidos de apoio para reconstrução de casas devido ao mau tempo soma 20 mil num montante de 100 milhões de euros, disse o coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País.