E-Redes vai alocar 20% do investimento previsto para tornar redes mais robustas

O presidente executivo da EDP detalhou hoje que a E-Redes vai alocar 20% do investimento previsto de 1,6 mil milhões de euros até 2030 para reforço das redes, e que o impacto nas tarifas será “imaterial”.

© D.R.

“Com o aumento da penetração de renováveis na rede penso que é consensual no setor que é necessário assegurar retornos adequados para as redes elétricas, de modo a suportar estes investimentos mais elevados e a reforçar a modernização das infraestruturas”, defendeu hoje Miguel Stilwell d’Andrade, durante a conferência telefónica com analistas no âmbito da apresentação dos resultados do primeiro trimestre da EDP.

Nesse sentido, lembrou o aumento de 50% do investimento proposto pela E-Redes, empresa do universo EDP e operador da rede nacional de distribuição de eletricidade, para 1,6 mil milhões de euros para o período de 2026 a 2030.

Esta proposta, que se insere no Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Distribuição de Eletricidade (PDIRD-E) entregue no final do ano passado ao regulador, “recebeu agora um parecer favorável da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o primeiro de sempre sem quaisquer cortes de investimento propostos”, apontou.

“Creio que existe um consenso geral no setor de que é necessário um investimento adicional nas redes, e penso que esta é obviamente uma boa notícia para o investimento no nosso negócio de redes”, acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade.

Detalhando os números apresentados no plano que a E-Redes tem de apresentar de dois em dois anos ao regulador, o presidente executivo do grupo destacou que “cerca de 45% do investimento será atribuído à modernização da rede, 15% à digitalização e cerca de 20% à eletrificação e descarbonização”.

Por último, tendo em conta que o tema ganhou importância nas últimas duas semanas, devido ao apagão em 28 de abril, destacou que “20% do investimento será afetado a tornar as redes mais fiáveis e a garantir um serviço robusto e contínuo”, de modo a conseguir acompanhar o aumento da incorporação de energia renovável.

Um passo que acredita ser visto por todos como “absolutamente fundamental para assegurar a transição energética”.

Miguel Stilwell d’Andrade aproveitou ainda para realçar que, “segundo o regulador, o impacto [deste investimento] nas tarifas é imaterial”.

“Estamos a falar de um aumento acumulado de 0,7% [até 2030] nas tarifas da eletricidade”, que constituem uma parte da soma do valor total das faturas da luz.

“Trata-se de um aumento que é absolutamente irrelevante no contexto do custo dos sistemas. E nós queremos investir em várias frentes aqui nas redes”, comentou.

Olhando para a frente, Miguel Stilwell d’Andrade referiu que, tanto em Portugal como em Espanha, estão a aguardar os novos períodos regulatórios que definem a atualização das tarifas, por exemplo. Por cá, a decisão da ERSE será conhecida até 15 de dezembro deste ano, enquanto no mercado espanhol será em 2026.

No entanto, considera que as condições de investimento em Espanha podem ser melhoradas.

“O rendimento do retorno sobre a base de ativos (RAB) é atualmente de 5,6% e não há atualização à inflação. Além disso, existe um limite máximo de investimento de 0,13 % do PIB”, o que limita as apostas do setor, lamenta.

Uma situação reconhecida pelo governo espanhol, que segundo o presidente executivo da EDP já admitiu que “precisa de ser alterada”.

A EDP fechou o primeiro trimestre com lucros de 428 milhões de euros, um aumento de 21% face ao período homólogo.

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