Ter casa própria continua a pesar cada vez mais na carteira dos portugueses. Os mais recentes dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a subir em junho, atingindo os 3,101%, acima dos 3,065% registados em maio.
A subida, de 3,6 pontos base, teve impacto direto na prestação mensal paga pelas famílias. Em média, os encargos com o crédito à habitação aumentaram seis euros face ao mês anterior, fixando-se agora nos 411 euros. Em comparação com junho de 2025, a prestação é já 17 euros mais elevada.
Quase metade do valor pago todos os meses continua a destinar-se apenas aos juros. Segundo o INE, a componente relativa aos juros representou 49,1% da prestação média, demonstrando que uma fatia significativa do esforço financeiro das famílias continua longe de amortizar o capital em dívida.
A pressão é ainda mais evidente nos contratos mais recentes. Nos créditos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu de 2,820% para 2,853%, enquanto a prestação média aumentou 23 euros, passando para 715 euros mensais. Em termos homólogos, este valor representa uma subida de 13,5%.
Também o montante em dívida continua a crescer. O capital médio em dívida nos contratos de crédito à habitação aumentou 608 euros em junho, atingindo os 78.865 euros, refletindo a manutenção de um mercado onde comprar casa continua a exigir um esforço financeiro significativo.