Ventura acusa Marcelo de “imprudência” por declarações sobre Trump

O líder do Chega considerou hoje que o Presidente da República foi "extremamente imprudente" quando disse que o seu homólogo dos Estados Unidos funciona como um "ativo soviético", acusando-o de "a perder credibilidade".

Partido CHEGA

“O Presidente da República tem direito a ter a sua posição enquanto cidadão. Parece-me de uma certa imprudência que o Presidente da República se refira a um dos nossos maiores aliados, os Estados Unidos da América, ao Presidente dos Estados Unidos da América, dessa forma, com o potencial que aqui há de criar um conflito diplomático severo”, afirmou.

Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, André Ventura foi questionado sobre as declarações do chefe de Estado na quarta-feira, na Universidade de Verão do PSD. Marcelo Rebelo de Sousa (EUA) disse que Donald Trump funciona hoje como um “ativo soviético”, ao favorecer a Federação Russa na guerra contra a Ucrânia.

O líder do Chega considerou que os EUA são “do ponto de vista militar, do ponto de vista económico e do ponto de vista civilizacional dos maiores aliados” de Portugal, países que têm “uma relação militar longa” e integram ambos a NATO.

André Ventura defendeu que Marcelo foi “extremamente imprudente em fazer esse tipo de categorização sobre o presidente de um país que é aliado militar e político” de Portugal.

O líder do Chega criticou também Marcelo Rebelo de Sousa por receber “de braços abertos o Presidente do Brasil, que esteve preso por corrupção”.

“Acho que há aqui uma certa contradição que leva, francamente, a que o Presidente comece a perder um pouco a credibilidade nacional e internacional. Vamos ser francos, isto só não está a gerar mais conflito internacional, francamente, sem querer ser ofensivo, porque mesmo na esfera internacional ninguém já leva muito a sério as palavras do Presidente da República portuguesa, porque senão isto seria um conflito muito, muito sério, diplomático, que poderia trazer consequências sérias para Portugal dos vários pontos de vista”, defendeu.

Na quarta-feira, o Presidente da República participou na Universidade de Verão do PSD, uma iniciativa de formação de jovens quadros que decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre).

Num painel intitulado ‘As respostas do Presidente’, o chefe de Estado fez uma intervenção inicial em que abordou a situação internacional, apontando Donald Trump como o exemplo de um novo estilo de lideranças políticas, mais emocionais e que apostam no contacto direto com os cidadãos, sem mediação, num mundo em que a balança de poderes também se alterou.

“Com uma coisa peculiar e complexa: é que o líder máximo da maior superpotência do mundo, objetivamente, é um ativo soviético, ou russo. Funciona como ativo”, afirmou.

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