Vinte anos de prisão para homicida de ex-mulher no Machico

O Tribunal da Comarca da Madeira condenou hoje a 20 anos de prisão um homem acusado de ter assassinado a ex-mulher em outubro do ano passado, no concelho de Machico.

© D.R.

Na leitura do acórdão, que decorreu no Juízo Central Criminal do Funchal, a presidente do coletivo de juízes, Teresa de Sousa, salientou que “é inequívoco” que o arguido cometeu “um crime de homicídio voluntário” enquanto a ex-mulher dormia e não podia oferecer resistência.

O homem, que se encontrava em prisão preventiva, foi condenado pelo crime de homicídio qualificado de que estava acusado pelo Ministério Público.

A juíza destacou que o número de mulheres mortas não deixa de crescer de ano para ano e classificou a conduta do arguido de “traiçoeira” e “fria”.

“É muito triste e censurável”, apontou, dirigindo-se ao homem, realçando que matou a mulher e mãe de dois dos seus filhos “com menos cuidados do que se mata um animal”.

O caso começou a ser julgado no Juízo Central Criminal do Funchal do Tribunal da Comarca da Madeira em 16 de setembro, tendo o arguido optado por se remeter ao silêncio.

De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), o homicídio ocorreu na manhã de 30 de outubro de 2024, enquanto a vítima estava a dormir.

O arguido, munido de um tubo de ferro, desferiu “pelo menos” três golpes na zona lateral da cabeça, abandonou o local e a vítima permaneceu na cama “como se continuasse a dormir”.

O homem, de 53 anos, escondeu a carteira da vítima e o tubo de ferro numa zona de mato, tendo a mulher sido encontrada morta no quarto por um dos filhos.

O MP diz ainda que o arguido “agiu com total insensibilidade e indiferença pela vida da vítima”, numa ocasião em que a mulher “não podia oferecer qualquer resistência”.

O arguido é natural da Argentina, mas com nacionalidade venezuelana, e tem dois filhos com a vítima.

Na primeira sessão do julgamento foram ouvidas as primeiras testemunhas, entre as quais a filha da vítima e do arguido, a namorada do filho, entre outros familiares.

Foram relatadas situações de ciúmes e discussões entre o casal, mas as testemunhas disseram que nada faria prever o crime e rejeitaram situações de violência física antes do homicídio.

Segundo as testemunhas, o homem não era violento, nem consumia bebidas alcoólicas em excesso.

A filha da vítima, que disse que foi visitar uma vez o pai à prisão, indicou em tribunal que lhe perguntou o porquê de ter matado a mãe, tendo o homem respondido por várias vezes que “não sabia” porque é que tinha cometido o crime.

A leitura do acórdão estava inicialmente agendada para terça-feira, mas foi adiada, devido a uma alteração não substancial dos factos.

O advogado de defesa, Américo Dias, explicou na altura aos jornalistas que as alterações tiveram a ver com declarações da filha, que indicou no decorrer do julgamento “que o pai, antes de ter praticado o crime, procurou-a duas vezes ou três no quarto e perguntou-lhe se ela […] demorava muito” a ir para a escola, acrescentando que passam, assim, a existir “alguns indícios de premeditação”.

O advogado disse também que provavelmente a pena seria agravada por estes factos acrescentados à acusação do Ministério Público.

Últimas do País

Os cortes noturnos de água no concelho de Almada, no âmbito das medidas para se restabelecerem reservas, vão realizar-se esta noite nas localidades de Trafaria, Raposeira, Corvina, Fonte Santa, Banática e Porto Brandão, anunciou a autarquia.
O número de pessoas com sintomas de intoxicação nas Caldas da Rainha subiu de 65 para 113, revelou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS) Oeste, que continua a investigar a origem do problema.
Portugal aplicou quase 29 mil medidas alternativas à privação de liberdade em 2024, segundo estatísticas oficiais hoje publicadas pelo Conselho da Europa, sendo um dos países que mais aplica a suspensão de pena.
Diploma apresentado pelo partido de André Ventura defende a proibição da ocultação do rosto em espaços públicos, alegando que a medida reforça a segurança e facilita a identificação das pessoas.
O Hospital de Santa Marta, em Lisboa, ultrapassou os 500 transplantes pulmonares realizados, mas a escassez de dadores limita a atividade do único centro de transplantação pulmonar do país, 25 anos após o arranque do programa.
A GNR deteve três homens, entre os 21 e os 38 anos, por suspeitas de tráfico de droga e apreendeu cocaína, liamba, haxixe e canábis, nos concelhos de Reguengos de Monsaraz e Borba, foi hoje revelado.
Uma mulher de 48 anos foi detida por ser suspeita de ter ateado um incêndio no concelho de Miranda do Corvo, distrito de Coimbra, que terá consumido cerca de 1,2 hectares de área florestal, revelou hoje a Polícia Judiciária.
Suspeito, de 32 anos, alegadamente intimidou um segurança com uma arma proibida. A rápida intervenção da PSP pôs fim à ameaça e levou à sua detenção.
Cerca de 1.500 pessoas juntaram-se hoje num protesto contra a falta de água na Costa da Caparica em que exigiram soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros.
Mais de 70 concelhos do interior Norte e Centro do país e uma dezena do Alentejo e Algarve estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).