Papa Leão XIV rezou no local da explosão no porto de Beirute

O Papa rezou hoje no local onde ocorreu a explosão no porto de Beirute em 2020, que se tornou um símbolo da disfunção e da impunidade no Líbano, no último dia da sua primeira viagem ao estrangeiro.

© EPA/GIUSEPPE LAMI

Familiares de algumas das 218 pessoas mortas na explosão mostraram fotografias dos seus parentes à chegada ao local de Leão XIV, que os cumprimentou e conversou com as pessoas presentes.

A reunião ocorreu junto à estrutura do último silo de cereais ainda de pé no local destruído pela explosão, que aconteceu em 04 de agosto de 2020, e às pilhas de carros queimados no seu rasto. A explosão, que causou milhares de milhões de euros em prejuízos, resultou da detonação de centenas de toneladas de nitrato de amónio num armazém.

Cinco anos depois, as famílias dos mortos ainda procuram justiça, já que nenhum dos responsáveis foi condenado na investigação judicial – obstruída inúmeras vezes -, levando os libaneses a referirem que esta foi a mais recente prova da impunidade após décadas de corrupção e crimes financeiros.

“A visita envia claramente a mensagem de que a explosão foi um crime. Deve haver uma mensagem, o país deve acabar com a impunidade e garantir que a justiça é feita”, disse Cecile Roukoz, cujo irmão Joseph Roukoz morreu na explosão, que estava presente para se encontrar com o Papa.

Ao chegar ao Líbano, no domingo, Leão XIV pediu aos líderes políticos do país que procurassem a verdade como meio de paz e reconciliação.

O Papa norte-americano iniciou o seu último dia no Líbano com uma visita ao hospital De La Croix, especializado no atendimento a pessoas com problemas psicológicos. A madre superior da congregação que gere o hospital, madre Marie Makhlouf, emocionou-se ao receber o Papa, dizendo-lhe que o seu hospital cuida das “almas esquecidas, sobrecarregadas pela solidão”.

“Não podemos esquecer aqueles que são mais frágeis. Não podemos conceber uma sociedade que avança a toda a velocidade agarrada aos falsos mitos do bem-estar, ao mesmo tempo que ignora tantas situações de pobreza e vulnerabilidade”, disse o Papa.

Espera-se que Leão XIV termine a sua visita junto à marginal onde milhares de pessoas aguardam uma missa.

O Papa Francisco tentou durante anos, mas foi impedido primeiro pelas crises económicas e políticas e, depois, pelos seus próprios problemas de saúde.

Antes do Líbano, o Papa Leão XIV visitou a Turquia, que foi a sua primeira paragem nesta sua primeira viagem ao estrangeiro.

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