“As informações de inteligência confirmaram que estes navios estavam a utilizar rotas desconhecidas pelo tráfico de drogas e estavam ligados a este tráfico”, afirmou na quarta-feira o Comando Sul das forças armadas dos EUA, que cobre a América Latina e Caraíbas.
“No total, cinco narcoterroristas foram mortos durante estas operações”, especificou o Comando Sul, usando a expressão usada pela Administração do Presidente norte-americano Donald Trump para equiparar os traficantes de drogas a terroristas.
O Comando Sul não revelou onde aconteceram as operações, mas mais de uma centena de pessoas foram mortas e cerca de 35 embarcações destruídas por ataques semelhantes aos EUA nas Caraíbas e no Pacífico desde setembro.
Horas antes, os EUA anunciaram ataques, realizados na terça-feira, contra três navios, alegados alvos de tráfico de drogas, que mataram três pessoas, no âmbito das operações militares norte-americanas na América Latina e Caraíbas.
O Comando Sul disse que os serviços de informação norte-americanos confirmaram que as três embarcações “estavam a navegar por rotas suspeitas de tráfico de drogas e tinham transferido estupefacientes entre si antes dos ataques”.
As imagens que acompanham a mensagem na rede social X mostram a destruição de um primeiro barco em movimento, seguida de outros dois que parecem estar à deriva.
O Comando Sul declarou que, após os bombardeios, “notificou imediatamente a Guarda Costeira dos Estados Unidos para ativar o sistema de busca e salvamento” dos sobreviventes.
A legalidade da campanha de ataques, conhecida como Operação Lança do Sul, tem sido amplamente questionada por alegações de acusações de execuções extrajudiciais por parte de militares norte-americanos.
Desde o verão que o Pentágono mantém um destaque militar sem precedente no sul das Caraíbas, o maior em décadas, enquanto Washington tem vindo a alertar que o seu objetivo é que o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e os seus colaboradores, acusados de liderar um narcoestado, renunciem ao poder.
A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, começou a argumentar nas últimas semanas que o regime de Caracas roubou instalações e bens de empresas petrolíferas norte-americanas na Venezuela e anunciou que vai confiscar petroleiros que transportam petróleo bruto venezuelano, o que já aconteceu em duas graças.
Tudo isto acresce ao ataque, anunciado por Trump esta semana, um cais na costa venezuelana alegadamente utilizado pela gangue Tren de Aragua, o que representaria o primeiro bombardeamento de um alvo em território venezuelano por parte de Washington.