Ministério Público alemão investiga hipótese terrorista no apagão em Berlim

A secção do Ministério Público federal alemão responsável pelo combate às ameaças terroristas anunciou hoje que vai investigar a hipótese de terrorismo e sabotagem no apagão em parte de Berlim, ocorrido sábado.

© D.R.

O apagão ocorreu no início da manhã de sábado devido a um incêndio em cabos de uma instalação elétrica que foi reivindicado ‘online’ por um grupo de extrema-esquerda chamado ‘Vulkangruppe’ (Grupo Vulcão).

No entanto, as autoridades alemãs ainda estão a analisar a autenticidade dessa reivindicação, numa altura em que aumentaram as dúvidas sobre a resistência das infraestruturas alemãs face aos recentes ataques, em que muitos veem a mão da Rússia.

Segunda-feira, o Ministério Público de Berlim já tinha assumido a investigação do incêndio, que causou o apagão, afetando cerca de 30 mil residências ainda sem energia.

Além das casas, aproximadamente 1.700 empresas na região do sudoeste de Berlim continuavam sem eletricidade e muitas escolas e creches permaneceram fechadas.

O grupo de ativistas de extrema-esquerda, classificado pelo departamento para a Proteção da Constituição como pertencente ao espetro anarquista, reivindicou a autoria do ataque, invocando razões climáticas.

Em conferência de imprensa, a senadora do Interior de Berlim condenou o “ataque desumano” que colocou “vidas humanas em risco de forma deliberada e sistemática”.

“Os perpetradores estão deliberadamente a aceitar que há pessoas que estão a ser prejudicadas. Isto não pode ser simplesmente descrito como extremismo de esquerda, o terrorismo de esquerda é uma possibilidade”, apontou Iris Spranger aos jornalistas.

No mesmo dia, a senadora de Berlim para os Assuntos Económicos e Energia, Franziska Giffey, já tinha pedido “assistência federal” na investigação, para que as causas do incêndio que provocou o apagão sejam esclarecidas rapidamente.

“A questão é: esses grupos são apenas ativistas de esquerda movidos por ideologia, ou há algo mais por trás disso. Isto precisa de ser investigado a fundo”, defendeu, em declarações à rádio rbb24.

O autarca de Berlim, Kai Wagner, da União Democrata-Cristã, de centro-direita, assumiu no domingo que parte dos afetados terá de esperar até quinta-feira para que o serviço seja restabelecido.

“Foi um grupo extremista de esquerda que, mais uma vez, atacou as nossas infraestruturas e, com isso, colocou em risco a vida das pessoas”, lamentou Wagner, assumindo tratar-se de “terrorismo” e “não apenas fogo posto ou sabotagem”.

Berlim convocou uma equipa de crise no domingo e declarou estado de emergência, o que permite o envio de assistência das Forças Armadas, entre outras medidas.

O estado da Renânia do Norte-Vestfália vai enviar, referiu a Agência de Imprensa Alemã (DPA), geradores de emergência.

O Grupo Vulcão tem levado a cabo vários ataques nas regiões de Berlim e Brandeburgo desde 2011, o mais recente em março de 2024, com a interrupção do fornecimento de energia à fábrica da Tesla, em Grunheide.

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