Comissão de Trabalhadores do INEM denuncia anos de desinvestimento

O coordenador da Comissão de Trabalhadores do INEM, Rui Gonçalves, denunciou hoje um "forte desinvestimento" no Instituto nos últimos anos e lamentou a existência de "dirigentes fracos", defendendo uma refundação que garanta a resposta em emergência médica.

© INEM

“Dissemos já em 2024, na Comissão de Saúde, que há um forte desinvestimento nos últimos anos no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)”, recordou Rui Gonçalves, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao INEM para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

No discurso inicial de 15 minutos, Rui Gonçalves apontou falhas “nos recursos humanos, nos recursos técnicos, nos meios, no planeamento e na gestão”.

De acordo com o coordenador, as condições remuneratórias, embora em “trajetória de correção” para alguns profissionais desde o ano passado, continuam insuficientes para atrair e reter equipas.

“Existe uma falta de organização nos últimos 8 a 10 anos. As condições de trabalho são muitas vezes precárias e os departamentos de apoio falham por falta de recursos humanos e técnicos”, salientou.

O coordenador da Comissão de Trabalhadores lembrou que propôs que INEM “fosse um Instituto de Regime Especial”, permitindo contratar dirigentes mais qualificados “pagando melhor para garantir qualidade”.

“Nós temos dirigentes, a maior parte deles — e digo isto sem qualquer tipo de problema — fracos, com pouca competência, sem visão, sem estratégia”, criticou.

O responsável denunciou ainda o uso sistemático de horas extraordinárias devido à falta de profissionais, o que provoca “desgaste físico e psicológico” e contribui para o abandono de profissionais.

“É difícil dizer que não quando o Instituto pede mais um turno extraordinário”, admitiu.

Entre as prioridades, Rui Gonçalves defendeu recentrar o INEM na emergência médica, reforçar meios próprios para situações excecionais e recuperar o investimento em literacia em saúde.

“Muitos portugueses ainda não sabem quando devem ligar 112 ou SNS 24, e isso impacta a qualidade da resposta”, observou.

O coordenador contestou também críticas recentes sobre atrasos na Margem Sul, afirmando que há um “problema crónico” relativo à “transferência de doentes para os hospitais”.

“Há ambulâncias retidas seis horas à espera de uma maca no hospital. Assim não é possível garantir socorro com qualidade em Portugal”, disse.

Sobre a greve do final de 2024, o responsável recordou que a Comissão de Trabalhadores “não participou nem se imiscui em atividade sindical”, mas considerou essencial “escrutinar responsabilidades” e discutir “o que têm sido os últimos anos de administração e gestão do Instituto”.

O trabalho da CPI envolve cerca de 90 entidades e personalidades convidadas, muitas das quais apresentarão contributos por escrito.

A CPI foi aprovada em julho por proposta da Iniciativa Liberal. É composta por 24 deputados e tem 90 dias para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM.

Últimas do País

O Tribunal da Feira adiou para janeiro a leitura do acórdão do processo Ajuste Secreto, um caso de corrupção centrado na Câmara de Oliveira de Azeméis e no ex-presidente Hermínio Loureiro, informou hoje fonte judicial.
A presença de homens de origem indostânica, em parques infantis e jardins públicos tem gerado preocupação entre famílias. Pais questionam o que fazem nestes espaços, sobretudo quando aparentam estar desacompanhados de crianças.
A Operação Atalaia resultou do desmantelamento de uma rede criminosa que alegadamente se preparava para introduzir estupefacientes no país mas também no mercado europeu, revelou hoje o porta-voz da GNR, tenente-coronel Carlos Canatário.
Um ciberataque a uma empresa informática que trabalhou para o Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) permitiu a piratas informáticas obter dados não classificados das secretas portuguesas e de de outras entidades, confirmou hoje o SIRP.
Um homem de 28 anos foi detido pela terceira vez por suspeita de agredir os pais em Albergaria-a-Velha, no distrito de Aveiro, e vai aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, segundo a GNR.
Um homem de 51 anos ficou preso preventivamente por ser suspeito de crimes de abuso sexual de pessoas incapazes de resistência na instituição onde residem, anunciou hoje a Polícia Judiciária do Centro.
Um motorista TVDE, suspeito de ter violado uma cliente, foi detido, mas acabou por sair em liberdade por decisão judicial. O homem estará ligado a ataques contra três mulheres e já tinha sido condenado por crimes semelhantes.
Uma operação de grande dimensão contra o tráfico de droga terminou com 16 detenções no Porto e arredores. A PSP realizou dezenas de buscas, apreendeu estupefacientes e encontrou cerca de 100 mil euros numa das habitações. O principal alvo era uma família suspeita de integrar uma rede de tráfico ligada ao antigo bairro do Aleixo.
Liceu Francês Charles Lepierre, em Lisboa, suspendeu o início das aulas esta quinta-feira, 8 de outubro, depois de surgirem informações sobre um possível bloqueio organizado por alunos do ensino secundário. A decisão foi tomada em articulação com a Embaixada de França, numa altura em que os protestos estudantis franceses já provocaram o encerramento de centenas de escolas.
Uma mulher foi violentamente agredida pelo companheiro quando tentava sair de casa com o filho de apenas dez meses nos braços. O homem acabou condenado a dois anos e meio de prisão, mas não terá de cumprir a pena na cadeia, uma vez que ficou suspensa.