Emigrantes portugueses nos EUA relatam dificuldades em votar

A impossibilidade de votar por correspondência e a escassez de urnas de voto presenciais vão impedir muitos emigrantes portugueses de votarem nos Estados Unidos, à semelhança do que aconteceu em eleições presidenciais anteriores.

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Na Costa Oeste, os emigrantes recenseados terão de se deslocar ao Consulado-Geral de Portugal em São Francisco, na Califórnia, para poder exercer o direito de voto presencial, tendo de percorrer em muitos casos cerca de 600 quilómetros. A sua jurisdição abrange 13 estados: Califórnia, Alasca, Arizona, Montana, Idaho, Wyoming, Colorado, Havai, Utah, Nevada, Washington, Oregon e Novo México, além de territórios do Guam, Samoa Americana e Ilhas da Micronésia.

Mas é na Califórnia que reside o maior número de portugueses e luso-americanos e, tendo em conta a dimensão do estado, a situação está a deixar muitos emigrantes frustrados, segundo relataram à Lusa.

“Para mim falar de eleições é falar de direito ao voto, mas quando o voto presencial é um requisito das eleições presidenciais eu sinto que esse direito é quase impossível de exercer”, disse à Lusa Nuno Duarte Silva, emigrado desde 2012 em Santa Mónica.

“Para um português que viva na área metropolitana de Los Angeles, significa uma viagem de carro de sete horas e meia até ao consulado em São Francisco. Ou então ir de avião”, indicou. “As duas opções são dispendiosas e não estão ao alcance de qualquer um”.

O português referiu que a distância é de cerca de 600 quilómetros e seria o equivalente a obrigar lisboetas a votar em Madrid ou algarvios a ir a uma urna de voto no Porto.

“Idealmente deveria haver a opção do voto por correio tal como existe nas eleições parlamentares”, sugeriu Nuno Duarte Silva. “Honestamente, não percebo porque essa opção não é possível para estas eleições”.

Anita Rocha, que se mudou para o sul da Califórnia há 10 anos, nunca foi votar presencialmente a São Francisco. “É uma viagem longa de carro e dispendiosa se for de avião”, disse, apontando que isso implica marcar estadia num hotel.

“Não consigo entender porque não poderia ser possível votar por correio como fizemos nas legislativas”, questionou.

O engenheiro eletrotécnico Nelson Abreu poderá fazer a viagem para votar, mas apenas na segunda volta e aproveitando a deslocação para uma mini fuga de fim-de-semana com a mulher.

O português chegou mesmo a pedir um orçamento para um autocarro que pudesse levar vários cidadãos ao consulado e facilitar o voto, mas o custo revelou-se demasiado elevado: cerca de 2.000 euros.

Para Sara Ortins, que tem uma criança pequena, deslocar-se ao consulado-geral é difícil devido à distância e ao custo e a portuguesa não conta votar nesta eleição.

“Se houver no futuro voto eletrónico, será o melhor para nós e uma opção mais plausível”, indicou. “Não havendo, não sei se vamos conseguir votar tão cedo numas presidenciais”.

Nas eleições presidenciais de 2021, a abstenção entre os eleitores portugueses recenseados no estrangeiro ascendeu aos 98,12%, um valor mais elevado que nas eleições de 2016 (95,3%), o que foi atribuído ao aumento do universo devido ao recenseamento automático.

Nos atos eleitorais anteriores para escolha do Presidente da República, desde que foi estabelecido o voto emigrante para as presidenciais, em 2001, a abstenção foi sempre superior a 90%.

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